Histórias de Vida

Marcos Silveira | Uma peleia interminável!

Por ir em busca dos sonhos, escolheu o que queria para sua vida.
Uma profissão difícil, que a entrega completa é fundamental, assim como nunca se dar por vencido.
Domar, treinar, chegar no Freio de Ouro, era isso o que o Marcos Braga Silveira queria.
Formado em Agronomia, pai de um casal, João Manuel e Helena, e casado com Mariane Py Silveira.
Ele por escolha, decidiu se entregar por completa a vida da lida com cavalos, quem recalca que não foi fácil, e muitas vezes, a frustração jogou em contra.
Cosas del Campo, foi falar com ele para descobrir esta linda história, cheia de emoções, sacrifício, e trabalho.
"Desde que me conheço por gente, gosto de andar a cavalo, da lida com eles", remarca Marcos.
O ginete é o irmão mais novo do Freio de Ouro Filipe Silveira, quem serviu sempre de exemplo para ele. Mas também muito incentivado pelo pai, quem nunca abriu mão de que ele fosse atrás dos sonhos, que fosse atrás do que ele queria. Motivo de eterna gratidão de parte do Marcos.
Quando pequeno, na estância, começou domando um "petiço lobuno", lembra. Além de sempre andar ajudando na volta do pessoal.
E foi no CTG, Rincão da Fronteira, que ele estreou assim como brincando. Ele fazia questão de participar nas pequenas provas que tinham por lá. Provas que até hoje lembra, já que serviram de incentivo para continuar.
Continuar... mas sempre com uma peleia grande: os estudos. Que o pai não abria mão deles.
Mas nas férias, dava para dar uma treinada e arrumar as malas para ir pra a estância. Pois era o melhor: aprendia da lida do campo, aprendia a treinar, e aprendia da "lida da vida", quem o pai fazia questão de dar: ser respeitoso, educado, honesto, pois ele remarcava que seriam os valores que iam acompanha-lo a vida toda.
E foi em um treino e outro, que as pistas deixavam de ser brincadeira, chegava o Freio Jovem. Já não eram as provas do CTG. O Marcos estreava na grande pista de Esteio.
Passo o tempo, vieram as parcerias com o irmão.
Quando estreava o "Primeiro Campeonato Nacional de Paleteadas", estreava junto com ele, a dupla. Dupla que consagrou-se duas vezes grande campeã.
O tempo passou, e entre cavalo e cavalo, chegou a primeira credenciada. Uma égua do pai dele.
Momento que o Marcos lembra com muito carinho, pois estava se dando conta, que tudo era possível. Que os esforços não eram atoa.
Tudo era possível mais deveria de seguir treinando... E assim foi, os treinos continuaram, muitos cavalos chegaram, e as expectativas do Freio de Ouro aumentaram, além de chegar, ele queria agora estar no domingo do Freio de Ouro.
Claro, para isso, deveria de classificar antes do que nada, e disputar a peleia.
Assim foi, o Marcos conseguiu chegar no Freio com dois cavalos. Uma égua, e um cavalo.
O Marcos estava esperançado com a égua, até pensava que ia ganhar o Freio de Ouro. Todas as expectativas estavam nela.
Mas nem tudo é como a gente quer. Para a surpresa do novato ginete, a égua, não andou tão bem, e quem permitiu chegar no domingo, foi o cavalo. Só que, como ele estava esperançado com a égua, ele não comemorou o que tanto queria que era chegar no domingo. Ficou frustrado, ao souber que a égua, no domingo iria ficar na cocheira.
Hoje Marcos, assim como nos conta tudo isto, ele diz: "Olhando para trás, eu vejo como eu errei em não ter comemorado aquele momento, pois era uma vitória. Tudo mundo sabe quanto é difícil chegar no domingo!". Seguindo a história, a volta do ginete para casa não foi fácil, pois ele voltou muito frustrado com o que ele tinha experimentado nesse final de semana.
Mas como o amor move montanhas, graças ao apoio da família, e de sua companheira de vida Mariane, ele seguiu em frente, ele seguiu em busca dos sonhos, era só uma mala passagem, e tudo melhoraria.
2008 chegou com tudo, é momento de carregar o pingo rumo a Esteio, pois ele iria a participar no Bocal de Ouro. Final de semana que prometia grandes emoções. Para a surpresa dele, na consagrada pista, se consagra Bocal de Bronze, e ginete destaque. Voltou para casa muito esperançado. Voltou para casa com a sensação de dever cumprido, de que não estava tão longe.
Os anos passam, e a desilusão volta a aparecer, dessa vez, numa classificatória em Brasilia, quando não consegue classificar um cavalo.
Momento marcante, triste na sua vida.
"Até pensei em desistir de treinar, achei que aquilo não era o meu!", expressa o Marcos.
Mais em casa, o Marcos não podia chegar com lágrimas. O trabalho estava esperando por ele. Não sei se trabalho, pois quem estava esperando mesmo, era a turma de alunos da escolinha que ele tinha formado com a esposa, (na sua propriedade que com tanto sacrifício ele conseguiu).
Escolinha para a gurizada aprender encima dos cavalos. E não é que aprenderam mesmo?
Hoje alguns alunos do "Tio Marcos", andam em Esteio, competindo e participando.
Falando em hoje, e olhando o tempo que se passou, frustrações marcaram na vida dele sim. Más também tem muitos motivos para se orgulhar. Ganhou vários prêmios em diversos redomões, e hoje grande quantidade dos animais do Freio tem a sua doma. Mas além disso, Marcos carrega várias responsabilidades.
Continuar um criatório para os filhos, que vem do pai dele. Criatório que é em base a sangues funcionais, sangues de Freio de Ouro. Que dá bastante alegrias para ele, pois a filha, já está demostrando "que sangue não é agua!", participando do Freio Jovem. Seguindo nas responsabilidades, não podemos esquecer, o motivo de por que ele escolheu esta profissão: ir em busca dos seus sonhos.
Marcos hoje, no mês de agosto, no ano de 2017, está no de Freio de Ouro, com dois animais.
Lá estará a família apoiando. O seu irmão, ajudando, torcendo, como ele fez um dia. Os filhos, orgulhosos do exemplo que o pai é.
E lá estarão os pingos, esperando a ordem do ginete, pra entrar na pista e arrasar.
Pois a peleia, jamais pode parar.


Texto: María Eduarda Sanes.
Fotos cedidas pelo ginete.




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