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Fatores de produção agrícola
por Marcelo Benevenga Sarmento

Data: sexta, 20 de julho de 2018 - Hora: 10:59

Fatores de produção são os recursos necessários ao processo produtivo de bens imateriais, como por exemplo terra (recursos naturais), capital, trabalho e tecnologia (conhecimento aplicado).

Em 1960 um agricultor alimentava 26 pessoas e em 2020 deverá alimentar 200. Esses dados da FAO nos mostram que tem havido uma intensificação do uso dos fatores produtivos agropecuários, mais nitidamente nos últimos 70 anos.

Nos primórdios da agricultura o principal fator produtivo era a mão de obra braçal, a terra era abundante e as tecnologias eram bastante precárias se comparadas com as atuais. Após superarmos as crises de abastecimento e as epidemias de pragas que ocorreram na Europa na Idade Média, a população foi gradativamente aumentando e a urbanização crescendo.

No Século XVIII a Revolução Industrial contribuiu para o avanço tecnológico dos meios de produção em massa, permitindo a evolução da humanidade em escala até então inimagináveis. Intensificou-se o uso dos fatores produtivos terra e trabalho, e os investimentos em capital e tecnologia industrial tiveram grande crescimento. No período pós segunda guerra, com o crescimento do comércio entre países, o capital e as mercadorias passaram a estar disponíveis para um número cada vez maior de pessoas. O aumento na produtividade dos fatores produtivos trouxe bem estar e aumento na expectativa de vida da população mundial.

Até meados do Século XX a terra era abundante para a produção agropecuária e seu custo era relativamente barato na maioria das regiões do planeta. O baixo custo da terra foi um dos aspectos que impulsionaram o avanço da fronteira agrícola brasileiro para as regiões Centro Oeste, Nordeste e Norte.

No mundo, a tecnologia agropecuária em grande escala recém começava a ser incorporada às lavouras americanas e europeias, o que veio a aprimorar-se a partir das décadas seguintes com a Revolução Verde, sendo disseminando para as demais regiões produtoras globais.

Com o avanço tecnológico, maiores investimentos em capital e intensificação dos processos produtivos, os fatores terra e trabalho foram gradativamente perdendo participação no crescimento da produção agrícola brasileira ao longo do Século XX e início do Século XXI (Tabela 1).

Até os anos 90, mais de 60% dos fatores de produção no agronegócio correspondiam ao trabalho e à terra. Em 1996, 50,6% do crescimento da produção brasileira ocorreram devido à tecnologia, os restantes, 31,3% pelo trabalho e 18,1% pelo fator terra. Já em 2006, o fator tecnologia aumentou sua contribuição para 68,1%, levando à queda na contribuição dos fatores terra e trabalho, tendência também observada em 2016 e provavelmente para as décadas seguintes do Século XXI (Tabela 1). Nos países desenvolvidos, a contribuição do capital e da tecnologia tende a ser maior quando comparados com países em desenvolvimento.

Após a queda no muro de Berlim, a abertura comercial dos mercados aumentou consideravelmente a circulação de bens e serviços ao redor do mundo gerando uma demanda tecnológica sem precedentes. Na nova era tecnológica, a cada 10 reais investidos no agronegócio, 8 são destinados especificamente à tecnologia, ou seja, conhecimento aplicado e capital.
Desde o final dos anos 90, sementes transgênicas, híbridos, máquinas agrícolas, fertilizantes e defensivos têm mostrado acentuado aumento na composição dos custos de produção, comprometendo, muitas vezes, a obtenção de lucro decorrente das atividades agropecuárias.

A agricultura, como várias pesquisas têm demonstrado, vem incorporando novas tecnologias a uma velocidade acelerada, porém, toda tecnologia inovadora tem um alto custo embarcado. Empresas multinacionais investem bilhões de dólares anuais no treinamento de recursos humanos e na geração de produtos inovadores. Pesquisa e Inovação de ponta tem custo elevado e demandam tempo e infraestrutura especializada. É a valorização crescente do fator tecnologia em uma agricultura cada vez mais especializada e cara.

Os ganhos de produtividade obtidos nas últimas quatro décadas na agricultura brasileira permitiram que o país mudasse de importador de alimentos para um expressivo exportador de produtos agropecuários. Dentre os principais países produtores de grãos e carnes, como Estados Unidos, China, Índia e Argentina, o Brasil foi um dos que apresentou a maior taxa de crescimento da produtividade agrícola nas últimas duas décadas, como reflexo do aumento na adoção de tecnologia.

No Brasil, algumas culturas que já foram importantes economicamente como o arroz, mandioca, feijão e trigo perderam fortemente sua participação no valor total da produção agropecuária. Por outro lado, a soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e as carnes ganham cada vez mais representatividade em termos de exportação, o que acaba alavancando a tecnologia e a produtividade em níveis bem superiores aos observados nas demais culturas citadas. Estes produtos têm incorporado de forma mais rápida as tecnologias disponíveis e também têm gerado maior demanda tecnológica se comparados com produtos como batata, feijão, mandioca e trigo.

Neste cenário tecnológico em constante mutação e complexo percebe-se que a agricultura 4.0 já esta presente nas propriedades rurais, no bolso dos técnicos, indústrias e nas gôndolas dos supermercados, não restando outra opção senão compreendermos o seu funcionamento nos capacitando para as diversas atividades do agronegócio.

O principal fator produtivo atual e futuro, sem dúvida é a tecnologia (conhecimento aplicado) e é nele que devemos concentrar nossos esforços em capacitação e atualização técnica, sem descuidar, no entanto, que o trabalho e a terra continuam fazendo parte dos processos produtivos e também merecem nosso cuidado. Tecnologia é imprescindível, mas o uso inadequado implica em riscos econômicos e ambientais para o setor.
Pensemos.

Tabela 1. Participação do trabalho, terra e tecnologia no crescimento da produção agrícola no Brasil. * projeção de dados (Fonte: Adaptado de Alves et al. (2012).

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