11111111111111SINTONIA FINA NA AGROPECURIA

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SINTONIA FINA NA AGROPECUÁRIA
por Marcelo Benevenga Sarmento

Data: segunda, 22 de abril de 2019 - Hora: 11:10

Nas últimas quatro décadas houve um aumento expressivo na produtividade média das lavouras brasileiras. A implementação da semeadura direta na palha, melhoria na qualidade das sementes, criação de cultivares transgênicas e híbridas, os sistemas integrados, as novas moléculas químicas, implementos e máquinas mais dinâmicas e precisas são fatores que impulsionaram a nossa agricultura a patamares elevados. Para os próximos anos não se devem esperar ganhos tão significativos como em anos anteriores. Em parte este fato pode ser explicado pela genética, dificuldade de obter novas moléculas e escassez de terras agriculturáveis e recursos hídricos de qualidade.

Em termos genéticos, a variabilidade usada nos programas de melhoramento encontra-se cada vez mais restrita, o que somente pode ser superado via biotecnologia e técnicas moleculares, que não estão disponíveis para todas as culturas e ainda possuem custo bastante elevado. Neste caso, não é de se esperar que o lançamento de cultivares com características "especiais" seja tão frequente como ocorreu nos últimos 20 anos, principalmente após a promulgação das Leis de Propriedade Industrial (1996), Proteção de Cultivares (1997) e de Sementes (2004). Apesar de continuarmos avançando, a tão procurada “bala de prata” da agricultura permanecerá nos nossos sonhos.
Grande parte da comunidade científica global afirma de que está cada vez mais difícil descobrir novas moléculas químicas para o tratamento de patógenos, pragas e ervas indesejáveis. A isso se soma o recorrente problema da resistência aos produtos químicos e teremos uma barreira tecnológica cada vez mais complexa e onerosa para ser superada.

Alguns estudos tem mostrado que cerca de 70% da população mundial tem sérias restrições para obtenção de água pelo menos durante um mês ao ano. Grande parte desta população encontra-se na Ásia e África. Apenas 25% da superfície terrestre é composta por solos, incluindo montanhas, rochas, geleiras, desertos, pântanos e áreas salinas. Restam menos de 10% de solos agriculturáveis mas que vêm sendo degradados principalmente pela erosão, compactação, salinização e poluição química. Conforme a FAO, 33% dos solos globais tem nível médio a elevado de degradação. Como consequência a expansão horizontal da agricultura está bastante limitada, o que tem inflacionado os preços da terra nos principais países produtores e forçado o uso de cada vez mais tecnologia baseada em insumos que é onerosa e de alto risco.
Analisando os aspectos comentados acima conclui-se que o produtor precisa aprimorar os seus processos, desde a gestão e planejamento da atividade, passando pelo manejo produtivo à forma e época de comercialização. A agricultura atual é pouco tolerante a falhas e, pra piorar, há diversos fatores instáveis e cujo controle não está nas mãos do produtor. Neste sentido as tomadas de decisões devem ser em tempo que as falhas possam ser corrigidas e o processo tenha um mínimo de perdas, reduzindo com isso os riscos da atividade.

Em um cenário atual e projeção futura de margens cada vez menores e altos custos de produção os ajustes precisam ser finos, o que dependerá cada vez mais de conhecimento das técnicas produtivas, mas também de Gestão, Planejamento e Liderança. Para isso é essencial a capacitação de técnicos e colaboradores, iniciando pela mudança que deve vir do proprietário. Segundo o agrônomo Dirceu Gassen: "Produtividade é igual à quantidade de conhecimento aplicado por hectare".

Boa leitura. Forte abraço a todos.

Foto: Cosas del Campo



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