11111111111111O mundo no anda sem eles!

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O mundo não anda sem eles!
por Marcelo Benevenga Sarmento

Data: segunda, 18 de maio de 2020 - Hora: 10:35

No próximo dia 25 de maio comemora-se o dia do trabalhador rural.
Campeiro, funcionário, encarregado, peão, capataz, aramadores, tratoristas,
mas também profissionais com diploma de curso técnico ou até superior. São
inúmeros os termos e atividades que vem mudando de configuração ao longo
do tempo, mas que não conseguem definir a real importância destes
profissionais para o bom andamento das atividades rurais. Eles são os
primeiros em uma linha de produção que culmina com o alimento nas mesas
dos consumidores, geração de combustíveis, vestuário, cosméticos, dentre
muitos outros bens e serviços gerados direta e indiretamente pelo agronegócio.
A Lei trabalhista 5.889/73 regulamentada pelo Decreto nº 73.626/74 e
pelo artigo 7º da Constituição Federal/88 distingue trabalhador de empregado
rural. De uma forma genérica todos aqueles que realizam algum tipo de
trabalho no âmbito rural independentemente da atividade realizada e contrato
são considerados trabalhadores rurais. Assim, o parceiro, o usufrutuário, o
empreiteiro, o cooperado, o empregado, o peão, o capataz, o aramador, os
técnicos, o zootecnista, o agrônomo, o engenheiro agrícola e o veterinário,
todos são trabalhadores rurais.
Já o empregado rural é toda pessoa física que exerce serviço de
natureza não eventual e continua, mediante salário. Os empregados rurais
também podem ser os peões, campeiros, bóia-frias, administradores, colonos,
safristas, trabalhadores braçais; outros trabalhadores tornam-se rurais como os
empregados que prestam serviços em escritórios ou na parte técnica, manejo e
gestão, como os veterinários, agrônomos, tratorista, motoristas, vigias,
mecânicos, pedreiros, eletricistas.
Nos últimos anos é consenso quanto à grande dificuldade de se
encontrar bons profissionais para um setor rural que vem mudando de
configuração ao longo do tempo. Com isso as necessidades do setor se
modificaram, algumas atividades talvez se extingam, outras se adaptem,
enquanto novas sejam criadas como o profissional para pilotar um drone.

Seja por razões legais, econômicas, de segurança do trabalho ou
mesmo tecnológicas o fato é que em muitas regiões brasileiras tem havido uma
redução no número de colaboradores por estabelecimento rural, o que tem
merecido atenção de governantes, proprietários e pesquisadores.
Não somente os assalariados ou contratados, mas os próprios
produtores, sejam eles micro, pequenos, médios ou grandes, produtores de
culturas anuais, perenes ou criações, também são trabalhadores rurais e
merecem igualmente nossos parabéns pela data e um muito obrigado.
As mulheres, historicamente relegadas no ambiente rural, vêm
representando 70% da força de trabalho rural em nível global, segundo relata
um estudo da Organização Internacional do Trabalho de 2012. A ONU aponta
que as mulheres rurais são as responsáveis por mais da metade da produção
de alimentos do mundo. Elas exercem também um importante papel na
preservação da biodiversidade e garantem a soberania e a segurança
alimentar ao se dedicar a produzir alimentos saudáveis. Nos países mais
pobres como os pertencentes à África, Sudoeste Asiático e parte da América
Latina as mulheres cumprem papel essencial em todas as atividades rurais,
com destaque maior na agropecuária familiar.

Conforme Paula Junqueira da Silva Rezende, professora do Câmpus
Iporá e membro do Grupo de Estudo e Pesquisa do Espaço Rural da
Universidade Estadual de Goiás (GEPER|UEG), existem várias categorias de
trabalhadores do campo. "Temos o trabalhador assalariado, permanente ou
temporário; temos o trabalhador da agricultura camponesa mais tradicional, em
que o homem, a mulher e os filhos mantêm vivência e uma produção no campo
e a renda é da propriedade; temos a agricultura familiar mais capitalizada, em
que o produto vai para o mercado, mas quem gere a produção, controla e põe
à venda não é um administrador, é o homem e a mulher juntos. E ainda há os
trabalhadores do campo provenientes de assentamentos rurais", explica.
O Brasil, país de dimensões continentais, apresenta diferentes
configurações agrárias, com modos de vida dos trabalhadores, aspectos
socioculturais, ambientais, tecnológicos e trabalhistas bastante distintos. Essas
condições complexas e particulares exigem que diferentes realidades sejam
reconhecidas distintamente em relação às políticas públicas, incentivos, acesso
à tecnologia, capacitação e contratação.

Nos dois últimos meses o Brasil vem passando por problemas sanitários
em relação ao COVID-19, acarretando em sérias consequências econômicas e
sociais para muitos profissionais. Felizmente, o setor rural vem mantendo, na
sua maioria, as suas atividades próximas à normalidade, à exceção do setor de
floricultura e alguns problemas pontuais na hortifruticultura. Há dificuldades na
produção, transporte e comércio principalmente para produtos altamente
perecíveis do agro como as flores e o setor FLV em algumas regiões do Brasil.
Do peão ao capataz de lavoura, do tratorista ao cabanheiro, do
aramador ao açudeiro, do agrônomo ao zootecista, esses profissionais são
peça-chave em um agronegócio cada vez mais complexo e competitivo,
exigindo de todos um maior profissionalismo e comprometimento.
Muitas vezes pouco valorizado pela sociedade geral e pela mídia, eles
encaram o trabalho com dedicação e persistência para o bom andamento da
agropecuária. Neste dia que se aproxima o mínimo que podemos fazer é tirar o
chapéu para este conjunto de profissionais que labutam no campo e atuam na
base das cadeias produtivas do agronegócio. A eles nosso muito obrigado.



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