11111111111111Qual forrageira devo utilizar nas minhas pastagens?

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Qual forrageira devo utilizar nas minhas pastagens?
por Marcelo Benevenga Sarmento

Marcelo Benevenga Sarmento

A escolha da espécie e da cultivar forrageira é o primeiro passo para o sucesso da pastagem e consequentemente do sistema produtivo pecuário. Inicialmente devem-se definir os objetivos da área a ser utilizada, ou seja, se será utilizada como verdeio de inverno ou verão, pastagens perenes de gramíneas e leguminosas, ou ainda para produção de grãos, sementes, feno ou silagem. Nesta coluna vou abordar somente os verdeios e pastagens perenes consorciadas por serem as mais utilizadas nesta região.
O primeiro caso, dos verdeios, são compostos por gramíneas anuais de inverno ou verão e utilizados por um período de 3-6 meses, dependendo do sistema, enquanto pastagens de espécies perenes se forem bem manejadas podem permanecer vigorosas e produtivas por tempo superior a 10 anos. Conheço pastagens no Uruguai compostas por festuca, lotus Rincón ou Maku de mais de 15 anos e que ainda apresentam boa produção.
Os verdeios de aveia ou azevém anual são costumeiramente usados nos sistemas integrados lavoura pecuária, geralmente na recria ou terminação, semeados via aérea, antes da colheita da soja, para entrada dos animais a partir de maio/junho. Dentre os verdeios de verão pode-se citar o capim Sudão e o sorgo forrageiro como boas opções forrageiras para a região da Campanha.
Em relação às pastagens, elas devem ser compostas, preferencialmente, pela consorciação de gramíneas e leguminosas. A união de espécies de duas famílias botânicas permite uma série de benefícios ao sistema como maior estabilidade produtiva ao longo do ano e maior longevidade da pastagem. As gramíneas são mais tolerantes que as leguminosas a erros no manejo de pastoreio e menos exigentes em fertilidade do solo. Leguminosas, por sua vez, são mais ricas em proteína bruta, minerais e vitaminas. Já dizia um pesquisador uruguaio do qual não recordo o nome que “as leguminosas alimentam as gramíneas para que elas as matem”. Isso ocorre porque as leguminosas fixam o nitrogênio da atmosfera, incorporando esse elemento em formas assimiláveis pelas gramíneas, que geralmente possuem maior vigor de crescimento. Gramíneas também são mais fibrosas e mais ricas em energia, contribuindo para aumentar a relação carbono-nitrogênio, tornando assim, mais lenta a degradação da matéria orgânica no solo. Pastagens perenes de gramíneas e leguminosas consorciadas são utilizadas também na recuperação de solo após alguns anos de lavouras anuais.
Ao se planejar uma pastagem ou mesmo um melhoramento de campo é interessante que pensemos em sistemas consorciados para que tenhamos pastagens equilibradas, nutritivas e mais produtivas. No Uruguai e mais recentemente nesta região, pastagens de festuca, trevo branco ou vermelho e cornichão vem apresentando ótimos desempenhos em produção de forragem e ganho de peso animal, com boa persistência ao longo dos anos.
Outro aspecto importante a destacar é a qualidade da semente. Devemos implantar pastagens com sementes certificadas, que possuam alto poder germinativo, boa sanidade e vigor, o que irá refletir em um desenvolvimento inicial mais rápido das plantas, melhor competição com plantas daninhas e a consequente entrada dos animais mais cedo na pastagem. A compra de sementes “baratas” muitas vezes pode resultar em dor de cabeça para o produtor. Vale lembrar que uma pastagem é uma lavoura produtora de pasto e, portanto, merece os mesmos cuidados que lavouras anuais.
Após a implantação cada espécie e cultivar terão particularidades específicas de manejo que, uma vez desrespeitadas, irão comprometer a produção de forragem, mas principalmente a longevidade da pastagem, elevando os custos de produção pela necessidade de recuperar a pastagem degradada.
Este artigo buscou discutir alguns aspectos que consideramos importantes na escolha da melhor forrageira. Atualmente há uma gama enorme de opções de espécies e cultivares. Não existe a forrageira ideal mas sim a mais adequada para o seu objetivo e sistema produtivo. Antes de escolher sugiro que busquem pesquisar informações com diferentes profissionais. Nem sempre a mais “famosa” ou a mais vendida será a mais apropriada para a sua necessidade.
A pecuária de precisão demandará cada vez mais sementes forrageiras de elevada qualidade para implantar um verdeio ou pastagem. A crescente demanda do mercado internacional por carne, leite, lã e as fortes exigências ambientais por conservação e restauração de áreas degradadas fazem com que o pecuarista busque alternativas tecnológicas que tragam rentabilidade com sustentabilidade. Neste aspecto a utilização eficiente de pastagens melhoradas ou cultivadas, pode contribuir de forma inigualável. Pense nisso, leia, pesquise, discuta, vá a dias de campo e eventos técnicos, e somente compre sementes que possuam qualidade e origem comprovada.

Até a próxima coluna.



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