11111111111111Reflexes sobre a Expointer 2017

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Reflexões sobre a Expointer 2017
por Marcelo Benevenga Sarmento

Data: sexta, 22 de setembro de 2017 - Hora: 18:45

O RS tem grande tradição em feiras agropecuárias, sendo pioneiro no país neste tipo de evento. As primeiras Exposições agropecuárias iniciaram nas primeiras décadas do século 20 em Bagé e outras cidades fronteiriças, seguindo-se Porto Alegre com as Exposições Estaduais. O foco principal na época eram os bovinos e ovinos selecionados nas estâncias. Iniciava-se os primeiros registros genealógicos das associações de raças.
De 1955 a 1969 a Exposição Estadual de Animais (na época assim denominada) era realizada no bairro Menino Deus em Porto Alegre, no local onde hoje é a secretaria da agricultura. Na década de 60 constatou-se a pequena capacidade deste parque em sediar eventos com grande número de animais, inclusive com crescente presença de cabanheiros do Uruguai e Argentina. Assim, em 1970 a feira mudou-se para Esteio, e em 1972, ocorreu a primeira Exposição internacional de animais já com a presença de 13 países.
Ao longo de quatro décadas os números impressionam pela quantidade crescente de animais, mas também pela presença da agroindústria familiar, setor de pesquisa, inovação tecnológica, assistência técnica e máquinas e implementos agrícolas. Cabe destacar também a evolução nos remates de elite, principalmente de equinos e bovinos bem como no freio de ouro, eventos estes que tem atraído milhares de visitantes de diversos países da América do Sul, Estados Unidos e Europa.
Neste ano a 40ₐ Expointer registrou 3.207 animais de 88 raças diferentes. Excluindo pássaros e aves, impossibilitados de participar devido à gripe aviária, houve uma redução em comparação com 2016 (4285). Houve, nos últimos anos, um crescimento na participação de ovinos devido à criação de categorias de animais naturalmente coloridos em seis raças: Corriedale, Romney Marsh, Hampshire Down, Texel, Ile de France e Suffolk. No gado de corte, houve um aumento expressivo na participação da raça Normanda, que passou de oito para 25 animais inscritos, e um crescimento de 44% nas inscrições de zebuínos. A raça Guzolando, de aptidão leiteira, apareceu pela primeira vez na feira.
Dentre os pequenos animais, 30 raças de coelhos e três de chinchilas foram inscritos, totalizando 338 animais. Por causa do alerta de gripe aviária emitido pelo Ministério da Agricultura, as aves não participaram desta última edição.
Além da questão sanitária das aves, os seguintes fatores talvez expliquem o menor número de inscrições deste ano: 1)a crise político-financeira pela qual o país está atravessando; 2)os altos custos de manutenção dos animais de argola; 3)o entendimento, por parte dos produtores, de que a seleção genética feita em expo-feiras, no caso, principalmente de bovinos e ovinos, nem sempre se reflete no desempenho produtivo a campo.
Gostaria de destacar também algumas inovações que foram apresentadas na feira e impressionaram os visitantes, como os currais virtuais, a seleção genômica em bovinos, o pastejo de precisão e as diversas opções de forrageiras cultivadas para diferentes sistemas produtivos consorciados ou em integração lavoura-pecuária. A feira de Esteio, além da reconhecida genética dos animais, tem apresentado inúmeras novidades tecnológicas para os produtores. Em tempos de crise e mercados cada vez mais competitivos, é necessário inovar com responsabilidade para reduzir custos, melhor a produtividade e elevar margens.

Mais uma vez presenciamos uma grande Expointer, seja pela qualidade genética dos animais expostos, boa comercialização, como pelas palestras e integração entre produtores, técnicos e empresas. Esperamos que o país retome o rumo, pois o agronegócio sairá como sempre na frente, exibindo uma Genética de ponta, tecnologia diferenciada e produtores cada vez mais capacitados a seguir em frente com otimismo e desempenho produtivo. Até a próxima coluna.



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