11111111111111A retomada da ovinocultura no Brasil...

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A retomada da ovinocultura no Brasil...
por Marcelo Benevenga Sarmento

Data: terça, 24 de outubro de 2017 - Hora: 11:22

A retomada da ovinocultura

Primeiro animal domesticado pelo homem há cerca de 9000 anos, os ovinos vêm contribuindo para o bem estar humano nas mais diversas formas, seja fornecendo lã, leite, pele, carne, ossos, chifres, adubo, etc. No âmbito comercial, após duas décadas de franco declínio populacional e do interesse pelos produtores a ovinocultura retoma sua pujança, desta vez com foco na produção de carne de cordeiro.
O consumo das carnes ovina e caprina somadas atingem 4.4% do total, situando-se em 4° lugar no consumo global de proteína animal, com potencial de crescimento nos países em desenvolvimento. A carne suína é a mais consumida globalmente, atingindo 37%, seguida pela de aves 34% e bovina 21%, segundo dados da FAO/STAT (2011) (Ver tabela em anexo).
Conforme o MAPA (2016), o Brasil possui ao redor de 18,2 milhões de cabeças ovinas, sendo as duas principais regiões produtoras o semiárido Nordestino e a Metade sul do RS.
A ovinocultura está presente em todo o território nacional, envolvendo dezenas de raças e distintos sistemas produtivos. Ovinos e caprinos tem capacidade de adaptação única tanto em ambientes secos, alagados, frios intensos e ambientes quentes. São excepcionais no manejo de pastagens pelo hábito de pasto seletivo e controle de espécies indesejáveis como a maria mole e a chirca.
Apenas no RS há ao redor de quatro milhões e duzentos mil ovinos, enquanto na região Nordeste há cerca de 10 milhões de ovinos. O rebanho gaúcho já foi o maior do Brasil, com mais de 11 milhões de cabeças, isso em épocas que a esquila nas médias e grandes propriedades pagava todo o custeio da estância.
A partir das décadas de 80 e 90, no entanto, a queda no valor da lã no mercado internacional, a crise no mercado asiático, o crescimento e valorização da bovinocultura e da agricultura levaram os ovinocultores a reduzirem drasticamente seus rebanhos em prol de atividades tidas como “mais rentáveis”.
Além destes fatores, outros problemas também têm sido enfrentados, mais especificamente na ovinocultura gaúcha como: abigeato, predadores (javali, carancho e sorro); desentendimentos de produtores com frigoríficos; elevado abate de animais de descarte; baixa oferta do produto nas gôndolas dos supermercados; elevado preço da carne; produtos de baixa qualidade e cuja oferta não é constante. Todos esses fatores somados levam a uma baixa organização da cadeia produtiva ovina, resultando em oferta insuficiente para atender a crescente demanda do consumidor. Em função disso, estima-se que 90% da carne ovina consumida no Brasil sejam provenientes do mercado informal (SÓRIO e RASI, 2010).
Embora a atividade tenha enfrentado sérias dificuldades nas últimas décadas, o aumento do poder aquisitivo da população e o incremento do abate de animais jovens e de qualidade trouxeram novas perspectivas para a ovinocultura. A carne ovina começou a ser mais apreciada, tornando-se o principal produto da atividade (VIANA et al. 2013).
A gordura da carne ovina é rica em ácidos monoinsaturados que ajudam a reduzir os níveis de colesterol ruim (LDL). A carne contém grande quantidade de poli-insaturados e é muito rica em ferro, zinco, niacina e vitaminas do complexo B e aminoácidos essenciais. Estas características associadas ao marmoreio, suculência e maciez têm feito da carne ovina um alimento gourmet nos principais mercados consumidores nos país e exterior.
Infelizmente a maior parte da carne ovina comercializada no Brasil tem baixa qualidade, sendo oriunda de animais de descarte. Como alternativa para este problema está em andamento um projeto da Embrapa Pecuária Sul em Bagé, RS, sob a coordenação da Dra. Élen Nalério, que visa aproveitar a carne destes animais descarte na elaboração de embutidos como salame, presunto e o inovador “oveicon”, o baicon ovino. Estes produtos tem mercado promissor ao agregar valor à carne de animais que são normalmente considerados refugo nas propriedades.
Outro importante nicho no mercado da ovinocultura é o de ovinos naturalmente coloridos. Estes animais possuem pigmentação na lã devido à presença de genes recessivos que se manifestam em homozigose, portanto, podem aparecer em rebanhos puros de animais brancos de diferentes raças.
Anteriormente relegados nas estancias, em função da coloração destoar dos rebanhos, do baixo valor e dificuldade de comercialização da lã, nos últimos anos vem ganhando elevado interesse comercial, o que pode ser visto pelo aumento na presença de ovinos coloridos na Expointer e pelo crescente número na população registrada bem como dos criadores.
Esse tipo de animal destaca-se por ter mais de 14 tonalidades de cor, ser ecologicamente correto, constituir-se em uma fonte adicional de renda para pequenos e médios produtores e um mercado promissor para artesanato em lã, tapeçaria e casacos.
O mercado para a ovinocultura é extremamente promissor, principalmente para produção de cordeiro. A produção intensiva de ovinos pode ser altamente rentável, gerando empregos e diversas oportunidades ao longo da cadeia produtiva como queijos artesanais, ovinos coloridos, tapeçaria e carne gourmet. Porém, a lã de merino fino ainda possui grande valorização no mercado internacional.
Sistemas intensivos de produção podem ser competitivos, desde que o setor se profissionalize como vem sendo feito em boa parte nas lavouras anuais e na pecuária de corte. A Arco, Emater, Senar, Sebrae e as associações de raças vêm prestando importante trabalho de fomento a atividade e assistência técnica aos produtores. Profissionalização é o caminho da ovinocultura. Só assim conseguirá uma promissora retomada da produtividade e eficiência dos nossos rebanhos.

Até a próxima.

Fotos: Marcelo Benevenga Sarmento



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