11111111111111Um olhar de fora do Freio de Ouro 2020

Expointer 2020

Um olhar de fora do Freio de Ouro 2020

Data: quarta, 30 de setembro de 2020 - Hora: 17:26

Por Arturo Montory G.

Parabéns à diretoria da ABCCC, chefiada por Francisco Fleck, por ter realizado em um momento tão difícil e em grande forma, as Qualificatórias e o Freio de Ouro nº 39 recentemente realizado em Esteio no final de setembro de 2020.

Superando muitas dificuldades organizacionais, de saúde, sociais, econômicas, eles realizaram o sonho de milhares de gaúchos e gaúchos da América e seguidores da Europa e de outras partes do mundo, e criadores que desfrutaram plenamente através das Redes Sociais ao vivo.

É estranho que todos possam apreciar a Expointer e a competição com muito pouco público, apenas os autorizados e participantes da competição.

Como antes era comum uma multidão de público nas arquibancadas, nos passeios, nos restaurantes, nas arquibancadas, um tremendo fervilhar da mais pura expressão gaúcha e do cavalo crioulo, de que muitos criadores que todos os anos viajavam do Chile, eles gostaram também.

Cada Expointer e Freio de Ouro será sempre uma data inesquecível, talvez a mais expressiva Feira Agropecuária do mundo, com exposições de gado, porcos, pássaros, cavalos de manga longa, árabes, búfalos, artesanato, máquinas, carros, enfim, um mundo maravilhoso que de todas as vezes que participei, nunca terminei de vê-lo por completo.

Outra memória incrível são os restaurantes e a convivência que lá se conseguiu, os gaúchos mais turbulentos que os criadores chilenos, mas a “linguagem universal dos cavalos” tudo alcança e a compreensão mútua foi muito fácil e divertida.

A primeira vez que estive na Expointer e no Freio Ouro em 2007, fui convidado para o restaurante da ABCCC e tive que sentar ao lado do Vilson Charlat de Souza, imagina conhecer aquela lenda gaúcha ao vivo, e claro perguntei a ele sobre tudo sua ótima experiência.Lembro-me muito bem de quando comemoraram o 25º aniversário do Freio de Ouro, e do lado de fora do restaurante da ABCCC colocaram uma vitrine de fotos em um pedestal e prêmios muito bonitos e foi realizada uma grande cerimônia de comemoração. Memórias indeléveis, além de agradecer a atenção e gentileza dos donos das cabanhas e de cada Presidente da ABCCC em todas as vezes que pude comparecer.

Sou um grande admirador do Freio de Ouro e dos benefícios que trouxe à Raça Crioula, conseguindo exemplares excepcionais, de grande morfologia e muito atléticos. Claro, orgulhoso da contribuição da genética chilena através de reprodutores do nível de Hornero, Arrebol, Aniversario, Chacao, Maqui, Rigolemu, Pilpico, Despejado, Tilo II, Maqui, Tortolita IV, Sandra, Así Sera, Campero, Comediante, Lure, Guindo, El Paleta, Condorito, Zagal, Acampao, Facón, Quillacon IV, Cautil, enfim, aqueles que sem dúvida cooperaram para modelar o crioulo morfológico e funcional atual.



Valorização da competição

Chegar à final nacional com um espécime é um esforço tremendo do criador ao cavaleiro, um processo longo e caro, mas que enche a todos de satisfação quando o primeiro objetivo é alcançado, que é participar da final, e esse é um grande mérito.

A Morfologia considerada de grande importância no Freio de Ouro, sem dúvida mais que cumpriu a razão ou propósito de seus criadores há 40 anos, eles conseguiram padronizar a raça com base em cavalos muito bem construídos, mas agora devemos somar os testes de campo e rédea, altamente exigentes. O animal que obtém as pontuações morfológicas mais baixas, da média para baixo, tem muita dificuldade de subir muitas posições na pontuação do resto dos testes.

Nas provas de pista foram vistos cavalos velozes com curvas muito boas, alguns com a boca por vezes excessivamente aberta, poucos abanando o rabo, sinal de descontentamento. Para mim o teste de Subir e Desmontar é de real importância, porque o cavalo vem agindo a toda velocidade, baixando sua ação a zero e esperando muito quieto, sem se mover, que o cavaleiro desmonte e depois monte, sem mover uma única perna, Sinal de submissão e extrema obediência às ordens do ginete, resulta em economia de energia por estar relaxado e capacidade de responder aos exercícios a toda velocidade se o ginete assim solicitar.

A pista na sexta-feira me pareceu pesada, no sábado mais compacta e no domingo, apesar da lama, muito boa e os cavalos exibiram nas esbarradas. Nas voltas em pé, os cavalos que fazer o pivô na parte interna da perna cumprem a tarefa do teste e também se sentam nas pernas; Em geral, este cavalo terá um ótimo desempenho na prova de apartar o gado e na Mangueira, aqueles que giram nas mãos são muito menos eficazes.

Quando correm nas Esbarradas, alguns ginetes levam o cavalo correndo devagar no início e forte no final como uma rédea americana, o cavalo crioulo está preparado para algo muito mais espetacular, que é partir do zero e a toda velocidade de imediato, e sendo o “motor de partida” e boas freadas na chegada. Quando arrastam as pernas, é muito mais bonito e técnico que elas deslizem em paralelo até o final, que o cavalo não gire porque uma delas se moveu em uma direção diferente.

A bela prova da Campo I, eu gosto, sem dúvida,  que o cavaloe vire de pernas para o ar e com a cabeça erguida, sentado, que o bezerro se encontre com o outro, não é tão importante quanto a demonstração de destreza do cavalo em seus movimentos, realizada em um lugar pequeno de extrema demanda também para sua boca, pois sem uma boca boa nenhum cavalo volta em um espaço tão reduzido.

A Mangueira ou Pechada, linda e muito difícil de executar para cavaleiro e cavalo, um só bezerro e manejar as rédeas com uma só mão, é complicado. Como o próprio nome diz, deve ser executado com o peito do cavalo, que é decisão e coragem diante de um objeto que o cavalo não aprecia plenamente, avança porque é valente e bem treinado e surge sangue chileno. Quando ele para a panturrilha paralelamente ou deitado, me parece de menos mérito, porque é mais fácil para os dois, mas os craques o fazem com o peito.

As paleteadas brasileiras são magníficas. O público, acomodado confortavelmente na tribuna, pode pensar, facilmente, que é muito fácil executá-las e muito bem, mas em cima de um cavalo deve ser muito difícil, o tempo e a velocidade são tremendos e a retomada é ótima, a que velocidade eles giram e retornam surpreendentemente.

Pude observar alguns conjuntos nas Paleteadas que pressionavam o bezerro na paleta e interrompiam muito a sua corrida livre, não o deixavam correr à vontade, aprecio mais aqueles que são realizados em alta velocidade, que deixam o cavalo correr à vontade, esta ação é linda e o público delira de felicidade como sempre se viu nos anos anteriores, gritos ensurdecedores e isso devido à rapidez e ao risco que correm os seus cavaleiros. Espero que eles não o percam.

A cada ano as conquistas de dirigentes, ginetes e criadores de cavalos crioulos me surpreendem mais, parabéns, por terem vindo de longe, a Prova também é realizada no Uruguai, Argentina e depois será no Paraguai de forma massiva, também em 2019 o primeiro Golden Brake na Europa no Fieracavalli Verona, com a participação de parceiros de Associações de Criadores Crioulos da França, Alemanha e Itália.



Meu olhar, do Chile.



Foto: Spolavori|Fotografias 

Apoio: Correaria Deponti, Cabanha Jobim, Terra de Cavalos, Spolavori Fotografias e Rádio Tertúlia



 




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