11111111111111Chefes de Raa

colunas

Chefes de Raça
por Arturo Montory Gajardo

Data: quinta, 29 de outubro de 2020 - Hora: 15:29

Este ano de 2020 foi marcado por um problema de saúde mundial chamado Pandemia, tem nos obrigado a estar mais encolhidos e isso dispor muito tempo para pensar, estudar e tirar conclusões em relação com um assunto tão apaixonante como é alguns tópicos sob a “Raça Pura Chilena” e por isso quero me estender em relação com os chamados Chefes de Raça. 

Denomina-se “Chefe de Raça” a um reprodutor que tenha as condições de transmitir suas bondades morfológicas e morais ou de função, mas o mais importante que signifique um avance para a raça, onde seus filhos resultam em grande proporção, ser melhores indivíduos que o mesmo pai, colocando neles um grande selo de raça. 

Outra característica, obrigatória para chamá-los assim a um reprodutor é sua “prepotência hereditária” que consiste em que qualquer égua por mais má que seja, melhore em seu filho a qualidade da mãe. 



Para que um Chefe de Raça possa se luzir em todas suas versões de bondades, seus filhos devem de se someter a rigorosas provas e ademais proporcionar na cria as melhores condições, para que os gês melhoradores do garanhão se manifestem em toda sua amplitude. Um Chefe de Raça marca um tipo definido em sua descendência, o que resulta que qualquer pessoa aficionada possa distinguir a simples vista um descendente dele. Um Chefe de Raça não somente o é em seus filhos, se não que deve se manifestar em netos e bisnetos, também deve ter a quantidade de crias suficientes para provar seu poder de liga, um exemplar destas caraterísticas raramente produz um filho má.



O estudioso criador uruguaio Luis Pedro Valdés Strauch nos fala sobre a palavra Chefe da Raça, cuja origem está na França, no início do século XX.

Diz: Quem cunhou o término “Chef de Rase" para o Puro Sangue de Carreira (Thoroughbred) foi o Tenente Coronel Jean Joseph Vuillier, em seu livro "Les croisements rationnels dans la race pure. Traité technique d'élevage. Etude des principaux étalons européens", cuja primeira edição data de 1908. Em seu livro, Vuillier estuda detalhadamente os pedigrees dos principais vencedores dos hipódromos da Inglaterra e da França da época. Ele notou que havia um pequeno número de jogadores constantemente aparecendo no histórico dos vencedores.

Chamou a este seleto grupo Chefs de Race (Jefes de Raza).

Esses garanhões são os que formaram ou modelaram a raça. Outra de suas observações foi que a cada 15 a 20 anos, uma nova geração de Chefes de Raça surge, eventualmente estabelecendo seu próprio grau de influência nos pedigrees destacados.

Este recambio de reprodutores dominantes de grande influência na raça provee um modelo para explicar a evolução da raça Pura Sangue de Carreira. Vuillier encontrou nos pedigrees dos grandes corredores estudando combinações praticamente iguais dos diferentes Chefes de Raça. Ele chegou à conclusão - e com isso a uma teoria que perdura até hoje no ambiente de 'carreiras de cavalos' - que existe uma combinação ideal de Chefes de Raça em um pedigree, para que o portador deste tenha as máximas possibilidades de triunfar. 

Chamou a esta combinação ideal dossificação (dosage). Os criadores deveram planificar os pedigrees de seus produtos que tenham a doses ou combinação de Chefes de Raça que chegue perto do ideal. 

Vuillier aplicou com sucesso sua teoria como asesor do Aga Khan em matéria da cria de cavalos de carrera. Desta cria saíram notáveis cavalos como Bahram e Nasrullah (ambos considerados Chefes de Raça), entre muitos outros.     

Na Raça Chilena de 1886 iniciou-se o trabalho de formação do Stud Book, uma Comissão de especialistas seleciona as várias famílias de cavalos puros da época, com cujos descendentes o Registro ou Stud Book começou em 1893, aí eles nomearam Fundadores da família.

O livro El Caballo Chileno, de Uldaricio Prado, é publicado em 1914 e fala sobre os progenitores da Raça.

Mencionaremos apenas aqueles que tiveram continuidade até os cavalos atuais com um número significativo de indivíduos.

Eles são:

Guante I, Angamos I, Africano, Chamal, Gacho e já com menos individuos pela línea direta Halcón II e somente pela línea materna Codicia e Bayo León, Mancha.  Por tanto, los fundadores de familia mais influentes e vigentes pela línea paterna são Guante I, Angamos, Africano y Gacho.      

A partir do siglo XX e com plena influencia atual tem se chamado Chefes de Raça “Los Torunos Alcatraz” (nascido 1911), “Aculeo Quebrado” (nascido 1919), “Las Mercedes Taco” (nascido 1960), “Casas de Polpaico Estribillo” (nascido 1967) e por suas atuações no Brasil  “La Invernada  Hornero” (nascido 1971) Número 1 no Registro de Mérito de Brasil, “La Invernada Aniversario” (nascido 1965) com grande aporte funcional e morfológico na Argentina e logo no Brasil; na Argentina Aculeo Condorito (nascido 1967) e “Curitoro Facón” (nascido 1984), ambos com influência funcional muito marcada na Argentina, Uruguay e Brasil. Por último, tem se enxumbrado nos últimos anos ao lugar número dois do Registro de Mérito do Brasil, Santa Elba Señuelo (nascido 1977).

No Chile durante a década de 2000 têm avançado com grande força com esse destino, “Buen Principio Plebiscito” (nascido em 1988), Santa Isabel Talento (nascido em 1991) e Paicaví Requinto (nascido em 1992). O primeiro da linha Comunista-Quebrado e Rumbo-Mirquen, o segundo da linha Comunista e Nunca em Domingo-Colibrí; e a última, a linha Picurrio-Longaviano e Madrigal.

Nelas estão representadas toda as famílias dos Fundadores da Raça e são Guante I (Comunista), Africana (Mirquen), Gacho (Nunca ao Domingo) e Angamos (Madrigal).

Um Chefe de Raça sempre vem de uma mãe muito boa, que também traz uma linha materna firme, nunca acontecem por acaso, nem ninguém sabe em nenhuma raça de cavalo quando aparecerá um potro dessas características, pois depois de testarem sua qualidade reprodutiva damos a eles este título.

O futuro dirá se algum dos nomeados ascenderá ao pedestal de ser digno do título honorário de Chefe de Raça.

Apreciação pessoal de potros mencionados. O famoso colorado “Buen Principio” Plebiscito, o conhecei pelos anos de 1997, por referência de  de Alejandro Cuevas M. proprietário  do criatório El Vaticano ubicado em Roma- San Fernando, o qual estaba impressionado pelo potro, que o tinha visto correr já bastante em rodeios da região de Colchagua, e me convidou a um rodeio Inter associações San Fernando efetuado o 22-11-1997, onde correu o Plebiscito e o tordilho Quinchero montados por Villalobos e Rojas.

 

Ganharam com 25 pontos, sendo jurado Marcos Millán. 

Em dito rodeio também estava correndo Samuel Parot e Sergio Tamayo em Capuchino e Emeterio, potros já muito conhecidos aos que também consegui observar com muita atenção. 

Na manhã daquele dia tive tempo de ir conhecer no parque Abel Bouchon, as manjedouras onde estava o Plebiscito, fiquei observando por mais de uma hora e me impressionou a à primeira vista de verdade, era colorado, com pelo fino muito brilhantes, cavalo Inquieto, relinchava e observava com muita atenção o que se passava ao seu redor, estava em ótimo estado físico, muito tenso e exibia uma musculatura impressionante, nem um quilo de gordura, e visto por trás das pernas com duas corridas de músculos muito vistosos, partidos ao meio.

Cabeça e pescoço erguido, monho regular, una linda, poblada e ondulada cola, herança de seu ancestral Curiche Rigor, assim como o formato de sua cabeça.

Sua marcante e fina massa muscular foi o que mais me impressionou, dava para ver a força e a energia contida, era impossível um potro desses passar despercebido.

Eu o vi correr e formidável, cuja campanha é amplamente conhecida.

Na reprodução excelente até a atualidade com filhos, netos e netas, ganhadoras de rodeio e exposições. Sem dúvida um exemplar de exceção, o tempo dirá onde irá chegar com sua herança. 

-Alazã “Santa Isabel” Talento o conheci em 1994 no criatório em Graneros, porque quando andava perto viajando, ia cumprimentar meu amigo o veterinário Carlos Miranda, que sempre me atendeu com especial deferência e me mostrou os cavalos que ali estavam. Em uma dessas ocasiões, ele me levou para conhecer um potro recém-chegado do Sul, uma alazã que seria o famoso Talento, que já chamava atenção por sua presença e estrutura.

Anos depois esse potrilho seria um craque e com a monta de Juan Carlos Loaiza M. tocaria a gloria corralera. Sua campanha é amplamente conhecida. 

No ranking histórico desde 1955 até à data (ano do seu início) o potro Estribo vence nas Estatísticas, porque Talento, um ano não chegou a disputar a final em Rancagua apesar de ter sido classificado, com certeza teria alcançado domingo na tarde, e esses pontos, muito poucos, faltavam para chegar ao número 1 nas estatísticas.

- O tordilho depois, aina mesmo nascido baio “Paicaví” Requinto o conheci desde os dois meses, ao pé da sua mãe Sorocha, e já era muito chamativo, ao pouco tempo o comprou Rubén Valdebenito para o criatório Peleco onde o criou e o “arrumou”.

Quando ia de férias à minha cidade natal, Cañete, era um lugar obrigatório para ir várias vezes a Contulmo para ver os cavalos do Peleco, e lá estava o jovem Requinto, o presente habitual de Rubén.

O manteria em pesebrera, mas ele tinha um potro oval perto da casa, e durante o dia onde o soltou. Foi um espetáculo vê-lo solto, ele corria por todo o ambiente, relinchando, incansável, era orgulhoso, sentia-se um vencedor, parecia sozinho, típico de um potro de corrida, que só se destaca dos demais, característico da herança “berberisca”, sangue que corre em abundância em suas veias, o famoso "salto para trás" por sua origem quilamutano.   

Nos faz lembrar do famoso tordilho mouro do harruquero aquele, potro que ia de presente ao  Rey de Granada e por um cólico o deixaram abandonado em Jerez de la Frontera, recuperado e maravilhando a todos, pela sua estampa, crinas abundantes e montado com giros incríveis, foi fundador a fins do 1500 da “casta” dos famosos Guzmanes e Valenzuelas, influência que segundo Francisco Antonio Encina A. chegou a a Quilamuta.

Requinto arrumado em Peleco e corrido por Gustavo sendo uma criança ainda, cumpriu uma longa campanha montado também por grandes ginetes como Rene “Oco” Guzmán e “Joselo” Astaburuaga M. Cada vez que entrava na “medialuna” era obrigado do público fixar o olhar na sua estampa, jamais passou desapercebido.

YouTube, Criadero Paicavi




Venha e participe Conosco!
Deixe seu comentário,
Até a próxima.