11111111111111La Invernada Hornero e a histria dos cavalos descartados que viram lenda

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La Invernada Hornero e a história dos cavalos descartados que viram lenda

Data: quinta, 28 de janeiro de 2021 - Hora: 12:22

Quando se analisa a história de um cavalo, se busca sua herança genética. É por este caminho que grandes apostas são feitas sobre o futuro de um potrilho nascido do cruzamento entre tal pai e tal mãe. Acontece que alguns animais são descartados e depois se consolidam como lendas da raça. La Invernada Hornero é um caso assim. 

Osvaldo Pons conta que na década de 70, seu pai e o amigo Flávio Bastos Tellechea trouxeram do Chile La Invernada Hornero. Para os padrões da época, era considerado um cavalo um pouco exótico e fora do contexto de cavalos procurados. “Ele tinha um toque de modernidade que não era do gosto da maioria dos criadores”, comenta.

Em seguida, ao passar por sua primeira avaliação com vistas às seleções da época, foi descartado. Ele era portador de uma deficiência óssea chamada de sobreosso. Rodou no exame de admissão para a exposição. “Por surpresa nossa, que avaliamos que era um animal que não valeria tanto por não ser do encanto de todos, entrou na final de um leilão e valeu um bom dinheiro, cerca de U$ 15 mil”, conta Pons, lembrando que os animais não chegavam a esta monta expressiva e a modalidade de pagamento vigente era de apenas 30 dias de prazo máximo. Ele avalia que a história do criatório se resume em antes e depois do Hornero. 





A família de Osvaldo Pons é toda voltada à criação. O pai era proprietário da marca San Martin o irmão da marca Capa Negra, ele tem a Tupambaé. Além de todos terem criado filhos de Hornero, a marca BT de Flávio e Roberto Bastos Tellechea também obtiveram grandes resultados de cruzamentos com o crioulo chileno. “Esse cavalo foi uma boa nova que chegou pro meio e se tornou um grande raçador. Na maioria dos pedigrees importantes da raça crioula, ele aparece”, explica. 





Mas, sem deixar a história de Hornero de lado, pelo contrário, entrelaçando mais ainda com a raça crioula no Rio Grande do Sul, seu Osvaldo aprofunda a questão sobre animais que não são unanimidade na primeira avaliação, mas que surpreendem. Para isto, voltamos um pouco à lenda chilena, afinal ele era diferente. “As pessoas, à época, valorizavam outros detalhes que até de certa forma contrariavam a bio mecânica funcional de um cavalo”, explica. Com a chegada de Hornero e outros crioulos chilenos, a genética dos animais criados no RS passou a contar com a colaboração destas características, oriundas da seleção funcional que já vinha sendo realizada, de longa data, no Chile. 

Ao falar no grau e modernidade dos chilenos, Osvaldo Pons faz questão de explicar: “Não é nada diferente do selo racial, porque é o cavalo crioulo sempre, e faço questão de ressaltar”. Ele diz que, Às vezes, é mal interpretado. “Acham que eu não ligo para a Morfologia. Eu ligo sim! Mas ligo sim, com cavalos consistentes geneticamente e que possam dar um passo à frente no sentido do conjunto, do todo, e que é o Freio de Ouro, nada mais que isso aí”, desabafa o criador.  Ainda sobre o Freio, Pons ressalta que ele vai centrando princípios que são determinantes e faz uma radiografia da performance  de um bom cavalo.

 Pons conta que, ainda na década de 70, fez parte de um grupo de criadores que faziam a seleção dos animais para as exposições, assim como a que descartou La Invernada Hornero. Em uma visita a cabanhas, ele lembra ter se apaixonado “no primeiro vistaço” por uma égua da Cinco Salsos. Foi voto vencido e ela foi descartada. Também possuía sobreosso. 





O animal, porém, não saiu de sua cabeça. Tanto fez que propôs a compra e a Amarela passou a fazer parte de seu plantel e se tornou uma das éguas base do criatório. A partir daqui, há um novo entrelace de histórias, pois na propriedade, trabalhava Vilson Souza, que veio a consagrar-se “o ginete do século”. “Ele trabalhava com cavalos mais rápidos, de outras raças, mas pedi que domasse a Amarela”, conta seu Osvaldo. Foi quando Vilson se apaixonou pelo crioulo, relembra. “Amarela foi o foi o primeiro crioulo registrado que ele domou e ganhou “n” provas com ela”, conta o criador que lembra o pedido Vilson Souza para domar outras como a Amarela. Foi quando lhe entregou Preciosa do Cinco Salsos. 





Amarela e Preciosa eram filhas de Arco do Cinco Salsos. As duas possuíam sobreosso, assim como Hornero. E assim surgiram as lendas, os dois Freios de Ouro: Itaí Tupambaé (1982) e Nobre Tupambaé (1990).  Ambos filhos de La Invernada Hornero em Preciosa do Cinco Salsos, os excluídos, junto com Amarela do Cinco Salsos e que formaram a base de um novo modelo funcional para a Tupambaé. 

Fotos: arquivo pessoal/divulgação/redes sociais



Pela ordem: 

1. La Invernada Hornero

2. Amarela do Cinco Salsos

3. Preciosa do Cinco Salsos

4. Itaí Tupambaé

5. Nobre Tupambaé.




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