11111111111111Planejando cavalos para qualquer um montar: a arquitetura de um sonho

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Planejando cavalos para qualquer um montar: a arquitetura de um sonho

Data: terça, 9 de março de 2021 - Hora: 15:58

Talvez tenham sido os cavalos de carreira do bisavô. Talvez o imaginário infantil estimulado pelos tios. O certo é que Diego Martins desenvolveu uma paixão por cavalos e foi atrás de seu sonho. Hoje, o arquiteto projeta com precisão o animal que quer por meio de cruzamentos muito bem selecionados. 

A história de Diego começa como a de muitos criadores de Cavalos Crioulos. Ele lembra que, por volta dos cinco anos de idade, identificou sua paixão por cavalos. Os pais não eram produtores rurais, não possui o campo no sangue. Mas, o bisavô paterno tinha cavalos de carreira. Contudo, foi após as visitas à Expointer, com os tios, que conheceu a raça e o coração se encantou. “Fiquei impressionado com a história do crioulo e a partir dos oito anos, comecei a compra revistas para me informar mais sobre o cavalo”, conta. 

Em 2001 que ganhou sua primeira égua, presente de um tio: Quilapy Farroupilha. “Como não tínhamos a tecnologia de hoje, sempre comprei a revista Cavalo Crioulo, onde comecei a ler histórias e a estudar genealogia”, explica. Diego começava, então, aos 15 anos, planejar a sua criação. 

Porém, na linha do tempo de todo adolescente surge um vestibular e a rota para a faculdade é traçada. Aos 18 anos, os planos são trocados e Diego foi para Santa Maria, estudar Arquitetura. E o sonho com os cavalos? Esse seguiu firme e ele prometeu: “Com meu primeiro salário compraria outra égua”. 

“Assim o fiz: Loira de São Marcelo, uma potranca baia, ruana, que comprei de sobreano”, conta ele, sobre a promessa. Diego estava com 24 anos, na época. “Domei, marquei e fiz ela uma égua de valor”, diz, orgulhoso. 





A criação estava ainda em fase de projeto quando o fim da faculdade chegou, em fevereiro de 2014. No tempo ocioso que tinha, como todo arquiteto em início de carreira, Diego estudava a genealogia dos cavalos e colocava no papel as genéticas que sonhava em cruzar. Aos 26 anos, recebeu a notícia de que seria pai. Decidiu adiar a criação mais uma vez e vender a égua para custear pré-Natal e parto da primeira filha. Também montou seu escritório de arquitetura. 

Loira o ajudou em um momento significativo, mas os cavalos seguiram sendo seu plano de vida. Diego queria ser criador. Seguiu planejando seu afixo, que em seguida saiu: Carta Nueva é uma homenagem ao sogro. E quem pensou que algo tinha a ver com vinho, acertou! O nome escolhido surgiu da paixão do pai de sua esposa pelo vinho Carta Vieja – marca chilena emblemática da família Del Pedregal, fundada em 1825. “Ele sempre errava o nome!”, comenta. Diego diz ainda que o sogro, Elder Borges, foi seu parceiro e que não teve tempo de ver a criação pronta. "A vida nos prega peças e nós ficamos se ter como responder as perguntas que vem junto...”, reflete o arquiteto. 



Outra égua que comprou foi para a esposa, Ana Caroline, que sempre o incentivou. “Ela gostava de cavalos, mas tinha um pouco de medo”, afirma. Temporona do Cathy, hoje com 21 anos. “Ela ensinou minha esposa a andar a cavalo”, garante. A partir disso, Diego montou o projeto de um cavalo que qualquer pessoa pudesse montar, de ginete à criança. Filha de Temporana com Índio Velho da Badana, Carta Nueva 15 Dona Flor herdou seu temperamento e foi vendida com o mesmo objetivo da aquisição da mãe: servir de montaria mansa, e própria para quem está começando. “Vendi para que alguma família com criança da idade da minha filha possa montar, mas hoje está sendo usada para laço”, conta. 





Assim se formaram os pilares de Carta Nueva: temperamento, selo racial e função. “Mais tarde, agreguei a pelagem comercial, com objetivo de que meus cavalos tivessem liquidez”, conta, garantindo que era o que faltava para obter sucesso nas vendas. 

Depois de abandonar os cavalos temporariamente, o Carta Nueva Criadero é uma ferramenta muito importante para a família Martins. “Foi na criação que encontrei firmeza para meu momento de reflexão”, garante Diego, que hoje tem um casal de filhos, ambos apaixonados pelos cavalos: Cecília e Elder Neto. 

Com seis anos de criadero, o que o arquiteto de cavalos objetiva é juntar seus três pilares básicos à morfologia. “Quero poder participar e ser competitivo nas provas morfológicas”, projeta. A Carta Nueva tem 18 matrizes e dois garanhões. “Ainda conto com algumas potrancas que já estão sendo incorporadas à manada de cria por já atenderem os critérios”, garante. 

Bastidores

Como toda reportagem teu seu bastidor, esta também contou com detalhes que não podem ficar de fora. Entre eles, o fato de que Diego contou com a parceria de amigos que hospedaram seus cavalos enquanto não constituía sua propriedade. O arquiteto também não vive de cavalos e nem totalmente da Arquitetura. Atua no mercado de investimentos imobiliários. 

E a crioula Farroupilha? A primeira égua de Diego, por si só renderia outra reportagem. É que ao chegar aos 21 anos, Diego tentou tirar cria e ficar com uma lembrança deste presente que recebeu ainda na infância. Não conseguiu, nem mesmo após um tratamento. Ao menos foi nisso que acreditou, após um ultrasson. Então, ela foi doada para uma entidade que oferta equoterapia para portadores de Down. Após um período, ele foi procurado, pois a égua apresentava emagrecimento. Como estava fora da cidade, ficou de visitá-la, mas acreditou que perdia peso devido à idade. Então, um novo telefonema o surpreendeu: Farroupilha havia dado cria. Apesar de receber boa alimentação, doada por ele, a égua passou a gestação sem suplementação especial e até mesmo a potranquinha nasceu debilitada. Farroupilha faleceu alguns meses depois, nos campos da família. A filha, Carta Nueva 25 Fina Flor renasceu após tratamento especializado e, em novembro passado foi para o CT Marca $orte. Ele conta que mesmo debilitada, ela era muito bonita, fora o inestimável valor sentimental agregado! 





Ah! Ele não domou a Loira de São Marcelo, mas já se aventurou na atividade com quatros cavalos e diz que aprovou o resultado!

Todo o conhecimento adquirido com o processo de criação da Carta Nueva deverá ser repassado a novatos. Este outro projeto está quase pronto. 

Quilapy Farroupilha foi o cavalo escolhido para Diego participar de cavalgada em homenagem às vítimas da Boate Kiss.

Os animais da Carta Nueva sempre são marcados com quatro dígitos. Uma homenagem de Diego a um dos criadores que mais o inspira, Oswaldo Pons, da Cabanha Tupambaé. Aliás, é da marca de Pons outra égua fundamental para o criador: Kenoite Tupambaé, filha de Nobre Tupambaé. Para quem recorda a reportagem feita com seu Oswaldo (leia aqui), Kenoite tem por avós os lendário La Invernada Hornero e Preciosa dos Cinco Salsos. Ainda carrega na genética materna Santa Elba Señuello.





Fotos: arquivo pessoal: na ordem



1. Quilapy Farroupilha, a primeira égua, com Kenoite Tupambaé e Carta Nueva 16 Daguilla ao pé.

2. Diego e a Loira de São Marcelo

3. Temporana da Cathy e a esposa Ana Caroline

4. A filha Cecília, em Carta Nueva 15 Dona Flor, filha de Temporana da Cathy

5. Carta Nueva 25 Fina Flor, filha de Quilapy Farroupilha e TJ Ilustre.

6.  Ana Caroline, grávida de Cecília, Diego e Temporana da Cathy




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