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Uma bruxa, uma picaça e um número da sorte

Data: terça, 23 de março de 2021 - Hora: 10:53

Ela tem 30 anos, está se formando em Odontologia e já é proprietário de um afixo.  Só por esta frase se poderia traçar um perfil para Letícia Garcia Freitas. Contudo, ela está longe do estereótipo de menina criada na fazenda. Pelo contrário. Letícia é uma garota da cidade. A família possuía negócios em Caçapava do Sul  e ela apenas visitava a fazenda dos avós, no interior, localidade de Lagoão, nos finais de semana e nas férias. O avô plantava arroz e criava gado e o cavalo era presente, mas apenas uma ferramenta de trabalho. 

Sem experiência com as lidas do campo, pois em sua família a tradição era de que apenas os homens cuidavam destes serviços, quando chegou à idade adulta é que Letícia começou a montar. Entre as mulheres da família, seguiu o exemplo de uma tia, pioneira, e única que tinha o costume.  

O irmão, Vinícius Freitas, foi quem começou a criar cavalos. Estimulada pelo então marido, João Salgueiro, ela decidiu acompanha-lo. Foi quando aprendeu sobre a raça, estudou cruzamentos, morfologia e função.  E foi quando chegou a picaça em sua vida!

“Meu ex e eu compramos essa égua, Tanisca Tupambaé, minha preferida”, conta Letícia. A égua, que segundo ela é muito séria de cima, mas difícil de lidar de baixo, tem um temperamento muito forte.  “Apesar de ser um homem campeiro, o João tinha dificuldades em lidar com ela, mas comigo foi diferente”, lembra a jovem. 





Sem saber explicar como ou quando foi, Letícia e a picaça formaram um vínculo muito forte. Ela conta que, por causa da cria, Tanisca está no campo h três anos. “Se alguém chegar na pastagem e tentar pegá-la, não vai conseguir. Eu posso ficar tempo que for sem vê-la que quando eu chego, ela vem em mim e é inexplicável. Chego a ficar arrepiada só em falar porque eu sinto que ela me escolheu”, se emociona. 

A ligação quase mágica entre as duas pode ter gerado a inspiração para o nome do afixo que Letícia registrou e que tá, na cria da picaça, seu primeiro cavalo registrado: Una Bruja. E o encantamento é tão forte que, quando ela pensou em se desfazer do animal por conta de uns tropeços da vida, lá estava o inexplicável para alertá-la. “Eu pedi a Deus que me ajudasse a saber se era pra vender ou não. Na época tinha que abrir uma conta no banco e, então, quando recebi o cartão e a senha automática era o número do RP dela. Fiquei muito impressionada e naquele momento decidi que por hipótese alguma eu a venderia!”, conta. 





Dividida entre o tempo em Santa Cruz do Sul, onde conclui a faculdade de Odontologia e a fazenda que era dos avós, em Caçapava do Sul, Letícia tem uma certeza de futuro:  “Quero uma casa perto da cidade para poder trabalhar, e perto do campo, para ficar com meus cavalos”. Além disso, já iniciou a preparação para as pistas. “Treino para isso e meu objetivo é, quem sabe, correr um Freio do Proprietário”, planeja. 

Enquanto seu projeto solo, Una Bruja, caminha passo a passo, Letícia busca conhecimento com amigos mais experientes. Conta, ainda, com o apoio do ex-esposo, que é veterinário. “Colho um pouco aqui, um pouco ali, e vou agregando conhecimento”, conta. Ela também  diz que vê se inspira em mulheres que conciliam vida urbana e rural e tocam seus negócios. “As meninas da Basca me inspiram, mas a mulher ainda é muito desacreditada”, lamenta. 

Fotos: arquivo pessoal




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