11111111111111Estudo francs defende linguagem especial para falar com cavalos

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Estudo francês defende linguagem especial para falar com cavalos

Data: segunda, 29 de março de 2021 - Hora: 16:17

É benéfico falar com cavalos da mesma forma que se fala com um bebê, diz um estudo apresentado este mês na França. “Os cavalos ficam mais atentos e parecem entender melhor as nossas intenções quando o tom usado é mais alto e com entonações exageradas”, comenta o Institut Français du Cheval et de L’equitation – Instituto Equestre Francês (IFCE). A pesquisa do IFCE foi conjunta com o Institut National de La Recherche Agronomique – Instituto Nacional de Pesquisa em Agricultura, Alimentação e Meio ambiente (Inrae) da França.

Léa Lansade, pesquisadora em etologia equina (estudo do comportamento animal) do IFCE, explica como obteve esse resultado. “Tudo começa com um sentimento, comparações com outras espécies, depois uma investigação que confirma o interesse do assunto. Em seguida, um protocolo de pesquisa rigoroso. Por fim, a publicação dos resultados em revista científica”. Que nesse caso foi a Animal Cognition.

Lansade ainda comenta que a inspiração de toda a pesquisa foram as práticas e conhecimentos de outras espécies. “Há alguns meses, lancei uma pesquisa com cavaleiros e proprietários para descobrir se eles falavam com seus cavalos em um tom de voz ‘infantil’. Muitos admitiram que sim!”, conta a pesquisadora.

Contudo, ela também teve um feedback de que esses mesmos cavaleiros e criadores não sabiam se de fato surtia algum efeito. “Resolvi testar, em um experimento rigoroso, se essa forma de falar era um modismo de nossa parte ou se os cavalos eram sensíveis a ela. Sei que os bebês, mas também alguns outros primatas e o cão são espontaneamente mais atentos e aprendem melhor quando falado assim”.





O método 

Então, para saber com precisão se é benéfico falar com cavalos da mesma forma que se fala com um bebê, bem como avaliar o impacto dessa forma de falar sobre os cavalos, as etologistas realizaram duas séries de testes com 20 cavalos que nunca haviam sido expostos a ela.

Lansade contou com Céline Parias e suas alunas Alice Blanchard, Elodie Gorosurreta e Miléna Trösch no estudo. Em outras palavras, o cavalo também é muito sensível a essa linguagem, que em etologia é chamada de ‘PDS’, ou seja, ‘Discurso dirigido por animais de estimação’, ou mesmo ‘conversa de bebê’.





Durante um primeiro teste, cada cavalo foi acariciado individualmente pelo experimentador. Ele falou com os cavalos usando o PDS ou uma linguagem neutra (como aquela usada entre adultos). Resultado: quando dirigidos a eles usando o PDS, os cavalos respondem mais favoravelmente. Ficam mais calmos, olham mais para o experimentador e respondem aos gestos de catação do experimentador no espelho.

No segundo teste, o experimentador ficou em frente ao cavalo com dois baldes fechados, um único recipiente de comida. Apontou com o braço para o balde que o cavalo devia escolher a fim de obter a recompensa. E dirigiu-se a ele usando o PDS ou a linguagem neutra. Resultado: quando o experimentador fala de maneira neutra, os cavalos escolhem um balde ao acaso. Por outro lado, quando o experimentador fala em PDS, escolhe preferencialmente o balde que lhe foi indicado.

Portanto, a forma de falar com crianças pequenas é algo que os humanos também tendem a usar instintivamente com certos animais. Segundo o IFCE, facilita a comunicação entre humanos e cavalos nas interações cotidianas. E ainda ajuda a melhorar o bem-estar deles, que são sensíveis às emoções humanas.

Fonte: IFCE 

Fotos: Fagner Almeida/ABCCC e B.Lemaire/IFCE




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