11111111111111Aprenda com o domador do seu cavalo, recomenda profissional de SC

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Aprenda com o domador do seu cavalo, recomenda profissional de SC

Data: terça, 20 de abril de 2021 - Hora: 11:32

Mais focado nos animais do que em tecnologias, Daniel Cardoso, tem um jeito muito direto de falar sobre a doma e os cavalos. Sua personalidade e ligação com os animais ficaram bem destacadas durante a entrevista que concedeu entrevista para Cosas del Campo por mensagem de áudio.  De Santa Catarina, o domador e treinador defendeu a tese de que alguns proprietários também precisam ser domados para aprenderem o modo correto de lidar com seus cavalos. 

Em seu centro de treinamento em Santa Rosa do Sul, Cardoso vê muitos proprietários escolherem um domador de preferência, entregar a ele um cavalo e quando o pega de volta apenas “monta e anda para frente”. “São pessoas que podem por a perder todo um trabalho construído na base da confiança e que leva tempo”, garante. 





Ele explica que ao receber um cavalo totalmente xucro, o primeiro passo é criar um laço. “O cavalo nunca viu uma corda, nem buçal, nem nada. Tenho que ganhar a confiança, pegar nos pés, nas mãos, ensinar a botar o buçal, tirar, casquear...Por último vem a doma”, explica. Sobre o processo de doma, Cardoso explica que ao pegar um animal cru, trabalha com ele por um ano. Depois, caso seja do interesse do proprietário, passa mais dois em treinamento. 





O domador conta que há aquele tipo de proprietário que bota todo este trabalho a perder. “Muita gente não sabe botar um cabresto, encilhar, montar. Quer dizer, eles acham que sabem, mas não sabem. Sabem do jeito deles”, afirma. Para estes, Cardoso recomenda uma espécie de doma também. “Tinham que fazer um ou mais cursos com o domador escolhido para conhecerem bem o manejo com o cavalo”, explica. E diz que há muito que se aprender.  

Outro ponto levantado pelo profissional se refere aos potros que chegaram a ter algum contato com algum humano, dono ou funcionário da propriedade, e que possa ter lhe gerado um trauma. Ou quando um potro é exigido demais e passa por stress. “A cabeça vai se fechando”, diz o domador, ao se referir às dificuldades de aprendizado que isto pode gerar. “É preciso dar carinho, tratar bem. Minha doma é bem diferente. Procuro cobrar muito pouco e recompensar muito mais”, explica. Com este tipo de trabalho, ele consegue ser reconhecido por animais que já passaram por suas mãos, e que foram incorporados às manadas dos proprietários. “O cara chega na beira e o cavalo vem!”, conta. 





Ainda para explicar os danos que um proprietário despreparado ou desrespeitoso com seu cavalo pode causar, Cardoso cria o seguinte cenário: um animal que passou por um ano de doma e volta para casa. O final de semana, o proprietário o leva para uma cavalgada com amigos. No passeio, bebe umas cervejas. “É quando ele começa a achar que sabe alguma coisa, mexe de forma equivocada na boca do cavalo. Todos os procedimentos que passei um ano fazendo com aquele animal, todas as informações que ele recebeu, o dono ignora e faz ao contrário...”, lamenta. 





Neste ponto da entrevista, o domador deixou claro sua preocupação. Após um instante em silêncio ele sentencia: “Quem se importa, quem quer de verdade, busca este conhecimento”. 

Cardoso lida com os animais deste os dois anos de idade. Desde jovem iniciou na doma e há dez anos se especializou. “Hoje estou com 35 e é uma vida toda lidando com os bichos”, ressalta o domador. “Não há coisa melhor do que levantar e todo dia montar um cavalo...Fazer um serviço que gosta, não tem preço!”. 





Para ele, existem dois tipos de proprietários de cavalos. “Alguns gostam apenas daquilo que o cavalo proporciona pra eles, da rentabilidade. Outros, têm amor pelo cavalo”, garante. Este segundo grupo, Cardoso diz que é formado por quem busca o conhecimento da doma, do treinamento, não para executar a função, mas para exercer a lida de forma correta, por se preocupar. 

Fotos: arquivo pessoal




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