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Quando se honra um cavalo até na hora da venda

Data: sexta, 30 de abril de 2021 - Hora: 09:10

Quem já ouviu Oswaldo Pons contando a história de La Invernada Hornero, sabe que uma lenda não é feita só de prêmios conquistados. Há muito mais por trás de cavalos insuperáveis. É com todo este respeito e admiração que o ginete Everton Valim vê Ulisses 350 Maufer, que chama carinhosamente de “cavalo véio”.

Além de ser um neto de Hornero, filho da grande Imperatriz 06 do Maufer e belo Santa Elba Comediante, Ulisses traz consigo uma índole que Valim diz ser “sem explicação”. “Ele tem uma garra, uma força de vontade de trabalhar, uma educação...”, elogia. Não é à toa que carrega o recorde de cavalo vivo que mais finais do Freio de Ouro correu: foram sete, incluindo um FICCC. 





Na primeira vez em que chegou a uma final de Freio, em 2008, Ulisses e Valim apenas se namoravam de longe. O ginete já tinha montado seu centro de treinamentos no litoral gaúcho, em Arroio Teixeira (2006) e naquele ano. Chegou à final com SR Tertúlia. “Ela pertencia ao amigo Ailton Santos, para quem indiquei a compra de Ulisses. Aliás, indiquei a égua para ele também e ela foi finalista do Freio duas vezes!”, orgulha-se. 

Em 2009, os dois finalmente se juntaram. Valim conta que, na época, apenas os quatro melhores cavalos nas competições credenciadoras, passavam. Não havia um pódio em que eles não estivessem! Tanto que naquele ano e em 2010, receberam da Maufer, um automóvel como reconhecimento ao cavalo da marca que melhor se colocava no ciclo do crioulo. Desde o primeiro encontro, Ulisses e Valim correram as finais do Freio em 2009 (incluindo uma final FICCC), 2010, 2011, 2012 e 2013. 





Valim descreve Ulisses como um cavalo de muito vigor. “Entrava e saída de pista sempre igual, com muita vontade”, afirma. O ginete diz que apesar de muito manso, o cavalo sempre demonstrou uma garra anormal. Talvez só assim explique alguns comportamentos, como a forma com que se portava após uma prova. “Alguns cavalos se recuperam no soro, mas o Ulisses, a gente colocava as mãos no gelo e ele ficava ali na cocheira, comendo livre, sem sair dos baldes”, comenta admirado. 

Após 12 anos de trabalho com o “véio”, Valim ainda pensou em colocar o macho de 19 anos no ciclo. Acreditava que Ulisses ainda estava em condições de ter um bom desempenho. “Mas, fiz uns exames nele e o aposentamos. Agora, é um cavalo para reprodução”, conta. Segundo ele, um dos donos de Ulisses conseguiu tirar alguns filhos que marcaram como animais de paleteada e éguas para cria”, conta. O ginete diz que ele mesmo chegou a reproduzir bons frutos de Ulisses e destaca que já possui um potro que deve seguir os passos do velho amigo.  “É um filho de mãe Señuelo e por isso ganhou este nome e acho que posso fazer dele um discípulo do pai”, garante. 





Sobre o cavalo que emocionou em tantas competições, Valim destaca a genética que traz de herança no sangue. “O que se vê hoje é uma queda na qualidade funcional da cavalhada, e Ulisses é neto do maior raçador, Hornero, e tem por mãe a Imperatriz, que foi Freio de Prata. É carga genética muito importante para reproduzir”, ressalta 

Hoje, o ginete se considera um privilegiado pela companhia do amigo. Faz uns cinco anos que o comprei. A Cabanha Todos os Santos estava parando e eu não podia deixar ele ir para qualquer lugar, sabe-se lá onde”, confessa. Entretanto, Ulisses está à venda, no momento. O dono espera que ele encontre não um novo proprietário, mas um lar. “Queria que fosse alguém que tivesse o entendimento e reconhecesse o potencial de Ulisses. Filho do cavalo motor numa mãe dessas, com esse currículo, tem q ter seu lugar entre os melhores!”, desabafa. 





Fotos: arquivo pessoal

Obs: foto 2 - SR Tertúlia e Ulisses 350 Maufer

 




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