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Família: a base de um ginete campeão

Data: terça, 18 de maio de 2021 - Hora: 10:53

Existem muitas as histórias de campeões que são criados no campo, com a família toda vivendo da lida campeira. Crescem em volta dos cavalos e o rumo natural as coisas os levam para as pistas. Se tornam domadores ou treinadores e conduzem cavalos de primeira linha até o pódio. No caso de Marcos Silveira, o componente familiar teve um peso muito grande. Ele se inspirou no irmão e já vê o sobrinho desenvolvendo os mesmos talentos. 

Desde menino, Marcos brincava com cavalos. Se não eram os de verdade, da propriedade do pai, eram os de plástico. “Eu botava os Playmobil e usava os boizinhos de plástico para treinar a mangueira. Botava uns pininhos no chão e fazia como uma figura”, conta o dono do último troféu de Domador do Ano. 

A paixão pelas provas também pode ser vista no nome que botou no petiço da infância. “Eu tive uma petiça e depois veio o petiço. Na época, o vendedor do Freio de Ouro foi o Arunco, então adivinha o nome do petiço: Butiá Arunco!”, recorda. 

Outra referência de pequeno é o CTG Rincão da Fronteira. Foi lá que começou a participar dos primeiros rodeios, levado pelo pai. “Aprendi a perder, a ganhar, a lidar com a pressão da competição e a saber que o principal eram os amigos e se divertir”, conta. 



Aos 16 anos, Marcos correu uma paleteada ao lado do ídolo Filipe Silveira, seu irmão. Ele lembra que estava na escola e o irmão já na faculdade. “Então, era o pai quem dava condicionamento físico aos cavalos e nós treinávamos nos finais de semana”, conta. O domador disse que o apelido do pai, na época, era Zagalo. O resultado com o treinador? No primeiro ano ficaram em segundo e ganharam os dois anos seguintes. 

“Depois disso, meu irmão, Filipe, se profissionalizou. E é muito bom ter um irmão como espelho, receber o incentivo dele para seguir a mesma profissão”, desabafa. Hoje, ele cumpre o papel com um dos sobrinhos. 

A sua carreira profissional como domador começou mais tarde. “Quando terminei a faculdade de Agronomia me vi numa encruzilhada: seguia a profissão ou ia viver do meu sonho, que era domar cavalo, treinar cavalo, montar cavalo...?”, revela. Segundo ele, após uma conversa com o irmão e a esposa, Mariane, a decisão foi tomada. “O Filipe me ofereceu um galpão que ele tinha, com 12 baias e no qual eu precisaria fazer algum investimento. Minha mulher, que apesar de ser “da cidade” sempre ia “pra fora”, e é apaixonada por cavalos, topou”, conta. 



O ano era 2004. Em 2007, Marcos chegou ao Freio de Ouro. Em 2008 foi Bocal de Ouro. Umpouco antes, em 2006, o pai adoeceu, ele voltou para casa e assumiu os negócios. Contudo, a distância da propriedade do centro da cidade – 110 km, atrapalhou. A esposa e os filhos ficavam em Jaguarão. Para solucionar o problema, ele arrendou uma área e depois uma chácara. Hoje, ele e a família são os donos e possuem uma mangueira e uma pista muito boas. “Tenho uma estrutura bem localizada, 14 km da cidade”, afirma.



Ao contar sobre o prêmio que mais almejava, o Domador do Ano, recebido em 2019, Marcos relembra a rosilha do pai, com a qual começou a competir no CTG de Jaguarão. Foi depois da primeira prova, em que ficou em segundo lugar, que o futuro do domador foi sendo construído, com a realização de cursos e muito estudo. 

“Eu queria muito o Domador do Ano. Tentei por seis anos”, conta. Ele relata que a égua, Santa Augusta Madrecita, foi muito bem na final e que se dedicou a explorar a mangueira, figuras e paleteada. “Ela não era boa de andaduras e esbarradas,...tentei o melhor dela e consegui um momento de superação e persistência”, relembra. 



No Redomão da Lagoa deste ano, ele enfrentou outro tipo de desafio. Com as provas presenciais suspensas por conta da pandemia por corona vírus, foi tudo virtual. “Foi muito diferente, pois gravamos em casa e depois assistimos juntos e torci com meu pai, minha mãe, meu filho, o Pedro meu sobrinho e a Mari, esposa dele. Só minha esposa e minha filha que não estavam”, lembra. Marcos lembra do momento de muita alegria ao conquistar o bi do Redomão. 

Do ano anterior, 2020, Marcos guarda a lembrança de ter sido uma prova muito forte, com competidores de alto nível. Segundo ele, a égua era bueníssima, mas não aceitava um mínimo erro dele. “Tinha os nervos à flor da pele e eu tinha que mantê-la calma e tranquila para mostrar habilidade e força”, conta. 

 “A gente monta com frio, sol, calor, chuva e vento, então, a cada vitória, a gente comemora muito”, afirma Marcos Silveira. Ele diz que sua preocupação é sempre o cavalo. E que seu desafio é iniciar com as provas de 30 dias e depois correr as etapas do Freio de Ouro. “Dependendo do cavalo, se tiver aptidão para isso e uma morfologia que vá compensar”, pondera. Segundo ele, alguns cavalos não servem para provas de 21 e 30 dias. “E a gente tem que respeitar os cavalos que não tem facilidade de aprendizado em pouco tempo”, afirma. Ele diz, ainda, que alguns tipos de cavalos, se forem apurados, podem ficar com traumas psicológicos. “Os animais com mais facilidade de aprender, sempre respeito suas habilidades e tento ensinar de forma que fique tudo muito sólido e não sirva só para a prova de 30 dias”, confessa. 



Este ano, Marcos corre com um cavalo que domou. Ele não chegou a competir em provas de 30 dias, mas com um ano e três meses de doma, diz que estão se preparando para o Bocal de Ouro. “O cavalo está bem domadinho, é bom de cabeça...A maior vitória do domador e treinador é tirar o melhor do cavalo e se este melhor for melhor do que o melhor dos outros, a gente vai ganhar”, garante. 

Fotos: 

Capa: arquivo pessoal/AT.Stefani

Foto 1: SC Jóia Preciosa, com a qual chegou em terceiro lugar no 12º Tempranito, em Bagé, 2020/Carlos Santos

Foto 2: Marco, a esposa e os filhos/reprodução/Instagram

Foto 3 Almejado Domador do ano/reprodução/Instagran 

Foto 4: Santa Augusta Madrecita, com a qual ganhou o Domador do Ano em 2019/arquivo pessoal





 




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