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O ginete professor: Delabary busca o motivo certo para cada ação

Data: quinta, 17 de junho de 2021 - Hora: 10:08

Buscar uma razão para cada ato que se tem com o cavalo em seu treinamento, fazendo com que ele entenda exatamente o que se quer. É isto que motiva Gustavo Delabary. Ele não quer só fazer porque disseram que era para ser feito. E passa isto para os alunos que frequentam seus cursos de paleteadas. Passa, também, a experiência de ter convivido com nomes como Vilson Souza, o Ginete do Século. 

“Sou filho de produtores rurais e tive uma vida vinculada ao campo”, conta Delabary. O pai também era dentista e a mãe era professora de Artes. Ele lembra que, ainda jovem, cursou equitação, por incentivo dos familiares. O pai era jogador de polo, o que o levou, por volta dos 14 anos, a também jogar. 

Contudo, entre os anos de 94 e 95, “quando entraram as técnicas de rédea para o Freio de Ouro”, conheceu Carlos Deleu. “Entramos em férias, eu, meu irmão Fernando e meu primo Adauto, e fomos passar 30 dias em São Paulo, na casa do Deleu”, relembra. Na volta, o resultado não poderia ter sido outro: "pegamos à frente na doma e treinamento, na cabanha da família”, conta.  





Em 1997, entrou na faculdade e tentou conciliar os estudos e a lida com cavalos. Na mesma época, estreitou amizade com aquele que virou uma lenda, Don Vilson Souza. “Em outubro daquele ano, levei um casal de cavalos para a Cabanha Marca Dois e durante toda a faculdade ia para a casa do tio Vilson. 

Foi em 98 que Gustavo Delabary participou de uma Credenciadora e, Santa Vitória do Palmar. “Já tinha corrido, uns anos antes, em Passo Fundo e Bagé, mas foi ali que credenciei meu primeiro cavalo”, conta. No mesmo ano, alcançou a classificação em Montevidéu, ficando em segundo, o que o levou a correr o primeiro Freio de Ouro. 





Dois anos depois da estreia na final do Freio, ele levou LS chimarrão para uma prova na São Rafael. “Fui de carona com tio Vilson, pois o frete era muito caro e ele estava levando LS Balaqueiro. Como o cavalo de Don Vilson não estava muito bem de saúde, não concluiu a prova. Quem finalizou foi Chimarrão,  ficando em terceiro. “Na semi-final, eu não pude ir. Tinha prova na faculdade e tio Vilson o levou, ficando na segunda reserva”, lembra.  

Em 2001, Gustavo acompanhou o treinamento de LS Balaqueiro, quando Vilson ficou com o Freio de Prata. No ano seguinte, ouviu do mestre que em 2003 seria sua vez de levar o cavalo para as provas “porque ele estava pendurando as esporas”. Ele conta que assumiu a responsabilidade e alcançou a 4ª posição. Entretanto, naquele ano não havia a premiação Freio de Alpaca. ”Mas, antes disso, quando fui à FICCC em Montevidéu, voltei Freio de Prata”, lembra.

Sobre 2003, o ginete faz uma reflexão. “Foi um ano de muitas coisas...Assumi o Balaqueiro, levei o Freio de Prata FICCC, me formei na faculdade. Chegar em 4º no Freio de Ouro foi por imaturidade. Eu virei errado e fiquei distante do boi”, pondera. Do tio Gilberto ouviu o melhor conselho: “Não dá bola. Tu és novo e o cavalo está bem. Isso é como carnaval, todo ano tem”.  





Mesmo assim, ele diz que passou um ano amargurando o quarto lugar. “Não sabia se voltaria, mas tive o apoio da minha família”, conta. E também com Vilson e “seu” João, que segundo ele, foi uma das pessoas mais importantes que acompanhou sua carreira. “Foi ele quem domou o Balaqueiro”, explica. A trajetória foi vitoriosa. “Passamos pela credenciadora, pela classificatória, corri o Freio e a partir dali eu era um ginete Freio de Ouro e um médico veterinário””, orgulha-se. 

Depois da grande conquista, surgiu, para Gustavo Delabary, a oportunidade de morar na Cabanha São Caetano, da família de Fabrício Brunelli Barbosa, em Porto Alegre. Naquela época, ele tinha entre 11 e 12 anos. “Fiquei ali 10 meses, passei três cavalos para o Freio de Ouro e voltei para Lavras”, lembra. No ano seguinte, o ginete classificou dois cavalos para o Freio. “E fui perdendo a mão. Fiquei fora de forma e parei de competir em 2010”, conta. 





A volta se deu em 2013. Delabary conta que o período longe das pistas foi essencial para seu amadurecimento. Foi quando passou a ver tudo de outra forma. Decidiu que só montaria seus próprios animais. E assim foi em 2014, 15 e 17. Em 2018, fechou parceria coma Cabanha Tupambaé, trazendo a marca novamente ao palco do Freio e em 2019, foi ao Freio de Ouro, ganhando, no ano seguinte, o Bocal de Bronze. 

Para 2021, o ginete tem quatro cavalos correndo – dois são da Tupambaé. Três deles já estão credenciados para o Bocal de Ouro. E segue com seus cursos de paleteada. “Recebi uma excelente aceitação no marcado e busco passar toda a experiência adquirida com o Deleu e o tio Vilson. “Tento passar de uma forma mais didática. Estou sempre buscando um porquê das coisas”, explica. Gustavo lembra que, quando começou, diziam “faz assim porque é assim”. “Eu busco uma explicação”, conclui. 

Fotos: Ricardo Moglia, Felipe Ulbrich, Fagner Almeida e arquivo pessoal




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