11111111111111Quando a histria do Freio e do jurado se misturam

Freio de Ouro 2021

Quando a história do Freio e do jurado se misturam

Data: terça, 28 de setembro de 2021 - Hora: 18:47

Não tinha como Ciro Manoel Freitas escapar. Ele cresceu no campo, em família de criadores, e mas mais do que isso, o pai, Ciro Manoel de Andrade Freitas e o tio, José Inácio, estiveram diretamente ligados à criação do Freio de Ouro. “Ele não chegou a ser um dos idealizadores, mas sempre esteve muito próximo de todos, integrou várias comissões, e inclusive foi presidente do Conselho Técnico da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos”, relata, com orgulho. 

Nesta edição, em que o Freio completa 40 anos, Ciro será um dos jurados da categoria fêmeas. Sua trajetória, contudo, começou muito cedo, aos 19 anos, em uma das credenciadoras, na cidade de Camaquã. “Naquela época, quando um jurado era convidado, ele podia convidar algum colega para julgar também. Naquele ano, foi meu tio José Inácio, quem me convidou, sendo aquela a primeira prova que julguei”, relembra. 

Depois disso, ele conta que foi convidado para julgar o Freio pela primeira vez. Ciro presenciou uma espécie de revolução nos julgamentos. Era o começo das placas. Ele conta que, até então, havia uma planilha onde os secretários faziam apontamentos. ”Com a mudança, era preciso muito dinamismo e irreverência também”, destaca. Foi aí que ele acha que se destacou, pois era preciso levantar muito rapidamente as placas. Sem falar que havia muita procura por novos jurados e o profissional diz que chegou a perder a conta de quantos Freios chegou a julgar, lembrando dos internacionais em Palermo e Prado. 

Com no mínimo 10 finais de Freio de Ouro na conta, Ciro é um dos jurados mais experientes. Ele conta que não tem uma rotina especial para a maratona de provas. “É como um dia normal de trabalho”, disse. Para ele, é uma responsabilidade muito grande julgar o trabalho de pessoas que investiram na raça e estão ali competindo. 

Com sua origem arraigada no campo e nas lidas diárias, o jurado afirma que tem preferência pelas provas mais dinâmicas. “As provas que mais gosto, entre todas, são a de campo, de paleteada e a de mangueira”, confessa. Ele justifica a escolha porque são provas que mostram bem o cavalo, a aptidão com o gado, a parte campeira do ginete, a habilidade de trabalhar com o boi e usar o boi da melhor maneira possível para mostrar o cavalo. 





Quando ele olha o cavalo e o ginete para dar seus pontos, Ciro diz que observa realmente o conjunto e a execução dos movimentos. “Dentro das regras da prova, mas sempre de olho na qualidade de execução da prova”, explica. O experiente jurado também garante que, mesmo tendo amigos em pista, busca a neutralidade, sem deixar que a emoção tome conta e reflita “O segredo principal de traduzir o que se está vendo, em nota, é se colocar de fora, sair daquela relação de amigo e torcedor até, para poder analisar friamente o que está à frente”, explicou. Ele ainda garante que a totalidade dos jurados alcança este ponto, principalmente por meio da preparação, do treinamento e das reuniões onde os critérios são firmados. 

Aos 50 anos, casado e com as duas filhas na faculdade – Medicina e Medicina Veterinária, ele garante sentir muita satisfação e orgulho por ter participado da evolução do Freio de Ouro. “Por ter acompanhado sempre próximo desde o início, vendo a prova se tornar do tamanho que é, admirada não só por criadores de cavalos, mas de outras espécies”, afirma. Ele diz ainda estar muito satisfeito por poder colaborar mais uma vez. “Peço a Deus que corra tudo bem e que como todo bom juiz, eu apareça o menos possível, para que quem brilhe sejam os cavalos, os ginetes e os proprietários”, conclui. 



Texto: Ieda Risco – Cosas del Campo/Cavalo Crioulo

Fotos: reprodução redes sociais

 




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