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Artigos sobre o Agro Negócio

Sementes Informais
A tentação barata que prejudica o agronegócio A compra e o uso de produtos "informais" são prática comum no Brasil, principalmente em função da desorganização das cadeias produtivas, hábitos culturais dos produtores e da deficiência na fiscalização e na assistência técnica. Nem sempre percebemos, mas o valor agregado de um produto é decorrente da tecnologia embarcada nele, investimentos, tempo de pesquisa, escala de produção, mão de obra utilizada, pagamento de impostos, atributos qualitativos do produto, concorrência, etc. Não deveríamos jamais desconsiderar o investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico que existe nos produtos, seja em um alimento, máquina agrícola, automóvel, cultivar ou mesmo em um novo medicamento. Eu até entendo que, para uma população brasileira com imensas dificuldades financeiras e culturais o preço acaba sendo, na maioria das vezes o principal determinando para a compra. Porém, em termos empresariais e tecnológicos não pode funcionar assim. A comercialização de qualquer produto ilegal além de configurar em crime, cria empregos informais, não paga impostos, gera menor renda para as empresas e resulta em menor fomento à geração de pesquisas e novas tecnologias, aspectos que, em longo prazo, prejudicam o subdesenvolvimento de um país. Grandes empresas investem bilhões de dólares anuais para desenvolver um novo produto, desde a pesquisa inicial, passando pelo desenvolvimento técnico e uma gama de testes que objetivam assegurar a qualidade, segurança e aplicação prática deste novo produto. Desta forma, não é justo que outras empresas "copiem" a tecnologia e vendam a um preço bem inferior sem terem tido o investimento e os elevados riscos comerciais que as outras tiveram na criação do produto e no seu desenvolvimento. Investir em pesquisa e tecnologia é altamente positivo para as empresas, população, produtores, mas é uma atividade de alto risco, pois exige pesado investimento, recursos humanos qualificados e infraestrutura de ponta. Assim, a engrenagem propulsora de um país desenvolvido é a ciência, tecnologia e inovação. Essa promoção reflete-se, ou deveria se refletir, em última análise, em mais empregos, melhoria na renda, na qualidade de vida nos serviços de saúde, distribuição de alimentos e redução da pobreza e segurança alimentar. Para que isto ocorra deve haver um arcabouço legal definido que assegure aos obtentores da tecnologia o retorno financeiro para o investimento feito. Infelizmente no Brasil, a tecnologia é vista, muitas vezes, como algo nocivo e que gera pobreza, dependência técnica e impacto ambiental. Reconheço que temos problemas que poderiam ser mais bem equacionados como o valor e a forma de pagamento dos royalties e taxa tecnológica, oligopólio no setor de insumos e processamento, dificuldade na assistência técnica aos pequenos agricultores, mas o "remédio", ou seja, a proibição do uso de algumas tecnologias, como vem sendo exigido por alguns grupos não é justificativa para as dificuldades acima mencionadas, pois poderia matar nosso paciente ao invés de tratá-lo adequadamente. De acordo com levantamento da Unipasto (Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras) acredita-se que a participação das sementes "piratas" no mercado de forrageiras possa chegar a mais de 30%. Número muito significativo se considerarmos que atualmente, o mercado de sementes forrageiras tropicais compreende um pouco mais de 20% do mercado formal de sementes do Brasil. Em cifras, isto representa um faturamento por volta de R$ 1 bilhão. Desse volume, 75% destinam-se ao próprio mercado interno e 25% para exportação. Ainda, conforme pesquisa recente realizada pela Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem) e Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) em 2017, o agronegócio brasileiro tem um prejuízo que chega a R$ 2,5 bilhões anualmente, somente se considerarmos a pirataria. A cultura do feijão é "líder" no uso de sementes informais no Brasil, com 90% das áreas cultivadas sendo formadas por sementes que não passaram pelos sistemas oficiais de certificação, não possuindo, portanto, o controle de qualidade nem de origem (Figura 1). Para a soja, principal cultura comercial brasileira, 71% das lavouras são estabelecidas com sementes certificadas, sendo as restantes 29% resultantes de grãos semeados como semente, sem nenhuma garantia de qualidade, o que representa risco biológico, produtivo e econômico para as lavouras. A diferença na qualidade da semente comercial e ilegal tem sido frequentemente relatada em diversos estudos. Cabe aqui mencionar o destacado papel dos pesquisadores do Programa de Pós Graduação em Sementes da Ufpel, da qual eu sou "cria", com muito orgulho inclusive. Há grande correlação entre a qualidade da semente e o estabelecimento de uma lavoura, tolerância a estresses ambientais como déficit hídrico e até mesmo a produtividade obtida. Na soja, pesquisas estimam que 1,5% a menos de vigor, pode representar na perda média de uma saca por hectare. Com 15% a mais no vigor de um lote de sementes de soja, ou seja, de 60 para 75%, podemos obter 10 sacas a mais neste hectare. Isso é apenas um dentre muitos exemplos que mostram a diferença da qualidade das sementes na prática de uma lavoura. A solução para o problema não é única e compreende um conjunto de práticas que envolvam os diferentes agentes da cadeia produtiva como maior fiscalização e responsabilidade do setor comercial, disponibilização de tecnologias, maior divulgação em dias de campo e áreas demonstrativas, conscientização dos produtores e redução de impostos, dentre outros. Na agricultura, talvez mais do que em qualquer outra atividade, o famoso jargão "O barato que sai caro" é verdadeiro. Em um cenário cujos custos de produção estão elevados e em constante crescimento, algumas sacas a mais por hectare decorrentes do ajuste fino dos processos podem fazer grande diferença. Cordial abraço a todos.

Sementes Informais

Histórias de Vida

A Vida no campo como ela é.

Um caminho de humildade e fé.
Primeiro Freio de Ouro, no ano 1982, estreavam ali cavalos diferentes e junto com eles ginetes diferentes. Ginetes que seriam motivo de inspiração para muitos com o passar do tempo. Assim é o caso do menino Zeca, que quando o pai ia para as provas, ele ficava só na expectativa em casa, fazendo suas provas também com cavalos de brinquedo, e ginetes improvisados, mas que levavam o nome dos ginetes campeões, pois ele apaixonado pelas provas. José Fonseca Macedo, tem 37 anos, e é ginete Freio de Ouro a vários anos, mas até isso acontecer, muitas passaram no meio, o bom é revivei-las para lembrar que cada passo foi importante. Com 2 anos, e apenas dando alguns passos sozinho, o moço já fazia questão de comandar as rédeas. E assim foi, daí ninguém tirou ele, e daí surgiu sua grande paixão: montar, treinar, domar cavalos. No ano 1985, com 6 anos, ele decide partir pra as pistas no “moro velho”, cavalo “das confiança” do pequeno, cavalo que termina morrendo com 34 anos. Mas... confiança e segurança, era o que é precisava para seguir no caminho que estava escolhendo, mais por isso não era motivo para se preocupar, isso o piá já tinha de sobra. Os primeiros ídolos do menino, eram os ginetes da época, pois ele olhava e admirava muito eles quando o pai participava da Parte Campeira do Freio de Ouro, quem anos depois, preside a Comissão de Provas Funcionais, e daí tanta ligação com honrosa prova. O relógio seguiu correndo, os dias passando, e junto com eles a garra para participar de provas. Com 13 anos e que decide participar da primeira credenciadora em Arroio Grande, na qual ficou em segundo lugar, compartindo a última corrida de vaca com o ginete que até o acompanha nas pistas, o Milton Castro. Mas foi isso que aconteceu, foi a participação, pois ele não conseguiu passar dessa etapa, e essa mesma história se repete alguma que outra vez. Até que aparece uma grande ajuda na sua profissional, botando agora um fator fundamental na hora de treinar: a técnica. Jango Salgado chegava na vida de Zeca a través de um curso com um grande cometido: ensina-lo para fazê-lo brilhar. Vários cursos, vários estágios, vários cavalos, até chegar a hora de brilhar sozinho. 2000... Agosto se aproximava, e essa vez, nada de ficar em casa, dessa vez era hora de disputar a final do Freio de Ouro, momento ansiado pelo ginete, pois é uma coisa muito difícil de conseguir. 2004... hoje o “pior” lugar que ficou no Freio, o ginete, que depois de tanto treinamento, dedicação, foco e trabalho, se consagrava Freio de Bronze. 2006... um ano que tal vez o Zeca, sonhava desde pequeno, um ano que sabia que algum dia ele ia tingir, que não esforços para logra-lo, sim, num agosto de 2006, o ginete se consagrava Freio de OURO. O primeiro de quatro que ele tem hoje, além de 3 pratas, e dois bronzes. Motivo que o ginete só olha pra cima e agradece, motivo que hoje só enche o peito de orgulho. A peleia não foi fácil, mas ele acreditava nela, acreditava que chegaria, acreditava em cada vez que entrava numa mangueira cheia de gente e tirava o chapéu pra fazer o sinal da cruz, e pedir a Deus que o acompanhasse uma vez mais. Hoje ele olha pra trás, e se dá conta que nada disso ele teria logrado sem o apoio e incentivo de muita gente, principalmente da família, que é o principal incentivo. O pai sempre fez questão de incentivá-lo, junto com o avó. Hoje ele tenta fazer o mesmo com os filhos, que quando faz isso ele sente um laço diferente ali, pois eles gostam daquilo que o pai transmite. Ganhar o Freio de Ouro, envolve um montão de coisas para Zeca, pois ele conversando com nós, nos diz que tem um fator fundamental nisto: amor pelo trabalho. E é o que não falta nele, ele todos os dias agradece por trabalhar com isto, agradece por todas as oportunidades que a vida lhe deu. Agosto chegou novamente, e os pingos estão esperando ser carregados para as cocheiras de Esteio, estão esperando a vibração de mangueira e da arquibancada, estão esperando uma carícia do ginete. Os filhos, estão esperando para torcer e se encher de orgulho... Os donos dos animais, estão esperando ver os resultados daquele trabalho, daquele confiança depositada... E ele? O que está esperando? Que espera Zeca? Zeca espera que o coração aguente um agosto mais, um final de semana mais, espera que Deus o ajude a enfrentar cada obstáculo que esse final de semana tem, para ir em busca de resultados, de um ouro, de um prata, de um bronze, ou simplesmente de uma caricia ao coração de saber que está no caminho certo... Texto: María Eduarda Sanes. Foto arquivo Zeca Macedo.

Um caminho de humildade e f.

Criadores

A paixão por criar

Leilão de Cavalos Crioulos destinará renda aos recém-nascidos da Santa Casa de Porto Alegre
Um grande leilão de Cavalos Crioulos acontecerá no dia 24 de novembro em benefício da assistência prestada a gestantes e bebês de alto risco atendidos na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Resultado da união de esforços entre profissionais da saúde, criadores de cavalos crioulos e outros parceiros*, o Leilão Beneficente Grandes Cavalos Salvando Pequenas Vidas ofertará coberturas, embriões e cotas de cavalos no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Os lotes que estarão à venda no leilão são a elite do Cavalo Crioulo. Todo o valor arrecadado será revertido para a aquisição de equipamentos médico-hospitalares (como berços aquecidos, incubadoras e respiradores) para a Maternidade Mário Totta da Santa Casa, que realiza, a cada ano, mais de 3700 partos e recebe mais de 700 internações de recém-nascidos na UTI neonatal. A área física da maternidade - que contempla Centro Obstétrico, Centro de Neonatologia, Emergência Obstétrica e Ginecológica e Internação - vem sendo reformada nos últimos meses a partir de recursos do Ministério da Saúde. Entretanto, para a atualização das tecnologias disponíveis para as gestantes e recém-nascidos, são necessários aproximadamente R$ 6 milhões. Mais de 70% dos pacientes assistidos pela Maternidade Mário Totta são usuários do Sistema Único de Saúde. * A ação tem como parceiros na organização a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), Camilla Menezes - Comunicação Estratégica, Canal Rural, Grupo Futura-RS, Instituto Martinelli, Parceria Leilões e Trajano Silva Remates. Leilão Beneficente Grandes Cavalos Salvando Pequenas Vidas Dia 24 de novembro de 2018, às 21h Tattersall do Cavalo Crioulo do Parque de Exposições Assis Brasil Esteio/RS Informações: projetos@santacasa.tche.br / 51 3213-7300

Leilo de Cavalos Crioulos destinar renda aos recm-nascidos da Santa Casa de Porto Alegre