O Cavalo Crioulo vem ampliando sua presença fora do Rio Grande do Sul, região onde a raça nasceu e onde ainda está concentrada a maior parte do rebanho nacional.
Levantamento recente da ABCCC mostra que o número de registros de rebanhos no país cresceu significativamente entre 2024 e 2025 — um avanço puxado em boa parte pelo fortalecimento da raça nos estados do Sudeste e do Centro-Oeste, regiões que respondem hoje por parte significativa das novas seletivas e provas do calendário crioulista.
Esse movimento chega com força à Expointer 2026, que acontece entre 29 de agosto e 6 de setembro no Parque Assis Brasil, em Esteio. É lá que a raça vive seu momento mais aguardado do ano: a Grande Final da Morfologia e a decisão do Freio de Ouro, duas das provas mais tradicionais do calendário crioulista.
E, cada vez mais, o que acontece nos boxes da Expointer também é reflexo do que vem acontecendo em estados como São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás e Paraná — regiões que hoje fazem parte do que a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) chama de área de Expansão.
A programação: quando acontecem a Morfologia e o Freio de Ouro
As atividades do Cavalo Crioulo na Expointer 2026 começam em 25 de agosto e seguem até 5 de setembro, com provas, leilões e eventos sociais. O ponto alto acontece no domingo, dia 30, e no sábado, dia 5, quando são definidos os grandes campeões da Morfologia e os campeões do Freio de Ouro respectivamente.
Por que a área de Expansão importa
A ABCCC batizou de área de Expansão um conjunto de estados onde o Cavalo Crioulo tem crescido de forma consistente nos últimos anos: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia, com avanços recentes também no Maranhão, e até no Amapá, onde nasceu recentemente a primeira potra da raça obtida por inseminação artificial no estado. A novidade é o estado do Paraná, que a partir de 2026 passa a integrar a área de expansão, e terá ações estratégicas do setor no estado.
Parte desse crescimento tem endereço certo: o esporte. Provas como Team Penning e Ranch Sorting, associada ao Laço Comprido que já fazem parte da cultura de estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, funcionam como porta de entrada para novos criadores que talvez nunca tivessem contato com a Morfologia tradicional. A lógica, resumida pelo setor de expansão é simples: onde tem evento, tem animal competindo; onde tem animal competindo, aparece o usuário; e onde aparece o usuário, o criador enxerga oportunidade de negócio.
Os resultados recentes ajudam a explicar esse otimismo. O Mato Grosso bateu recorde de expositores na Morfologia da Expointer, reunindo o maior número de animais do estado já visto na disputa. No Freio de Ouro, um animal nascido no Mato Grosso do Sul disputa pela primeira vez a final da prova, marco inédito para criadores sul-mato-grossenses.
Já na Exposição Outonal de Esteio, um exemplar de criação paulista se tornou o primeiro animal da Região 8 a conquistar o título de grande campeão do evento. Goiás e o Distrito Federal também vêm se destacando, com participação cada vez mais expressiva tanto no Freio de Ouro quanto na Morfologia — sinal de que o crescimento da área de
Expansão não é apenas numérico, mas também de resultado.
O tamanho do mercado por trás da expansão
Esse crescimento não é só simbólico. Levantamento recente aponta que a cadeia produtiva do Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bilhões por ano no Brasil e sustenta cerca de 160 mil empregos, entre diretos e indiretos. Em média, cada animal da raça gera R$ 10,5 mil por ano em movimentação econômica, considerando desde o mercado veterinário até serviços como ferrageamento e selaria.
O Rio Grande do Sul ainda concentra a maior fatia desse bolo — cerca de 70% do rebanho nacional está no estado. Mas é justamente esse número que dá dimensão ao potencial da área de Expansão: se o restante do país já responde por parte relevante do crescimento da raça, o espaço para os próximos anos é considerável, especialmente em regiões onde o Crioulo ainda está começando a se firmar.
Uma vitrine cada vez mais nacional.
A Expointer continua sendo, antes de tudo, uma celebração da tradição gaúcha e da história do Cavalo Crioulo. Mas o que os números de 2026 mostram é que essa vitrine está ficando maior. Quando a Grande Final da Morfologia acontecer, no dia 30 de agosto, entre os animais na pista estarão representantes de estados que, há poucos anos, praticamente não tinham presença na raça.
Acompanhar esse movimento é acompanhar não só uma disputa esportiva, mas o retrato de como o Cavalo Crioulo está deixando de ser um patrimônio regional para se tornar, cada vez mais, um patrimônio nacional.
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